
A Vigilância Sanitária da cidade de Campinas, em São Paulo, interditou 44 estabelecimentos odontológicos no primeiro semestre de 2026. O número já ultrapassa o total registrado durante todo o ano passado, quando 38 clínicas e consultórios foram interditados na cidade.
O levantamento da Prefeitura mostra que a fiscalização sobre o setor vem crescendo. Em 2024, foram 10 interdições na área de odontologia. No ano seguinte, o número saltou para 38, registrando um aumento de 280%. Agora, apenas entre janeiro e junho de 2026, já são 44 casos.
A intensificação das ações ocorre em meio ao trabalho da Vigilância Sanitária para verificar se consultórios e clínicas seguem regras que ajudam a proteger pacientes de contaminações e outros riscos durante os procedimentos.
O que a fiscalização encontrou
Entre as irregularidades mais frequentes identificadas pelos fiscais estão falta de licença sanitária, problemas na estrutura física e falhas no processo de esterilização dos materiais.
Também foram encontrados estabelecimentos sem responsável técnico e problemas no descarte de resíduos.
Em alguns casos, as falhas podem representar riscos diretamente para quem está sendo atendido, já que procedimentos realizados sem os cuidados necessários podem favorecer contaminações e transmissão de doenças.
A Prefeitura também relata situações envolvendo produtos vencidos ou armazenados de maneira inadequada e casos de estabelecimentos que funcionavam sem qualquer licença.
Autos de infração também aumentaram
O crescimento não aparece apenas nos números de interdições.
Os autos de infração em estabelecimentos odontológicos passaram de 113, em 2024, para 263, em 2025, com alta de 133%.
No primeiro semestre deste ano, foram emitidos 73 autos.
A fiscalização de odontologia é realizada por uma equipe formada por cinco dentistas dentro da Vigilância Sanitária.
Fiscalização em Campinas
A atuação da Vigilância Sanitária também cresceu de maneira geral. O município registrou:
- 632 inspeções em 2024;
- 2.689 inspeções em 2025;
- 1.400 inspeções no primeiro semestre de 2026.
No último ano, considerando diferentes tipos de estabelecimentos, como farmácias, clínicas de estética e instituições de longa permanência para idosos, foram 1.050 interdições, contra 779 em 2024, evidenciando um crescimento de 35%.
Até o momento, em 2026, a Prefeitura contabiliza 495 autos de infração.
Interdição pode ser temporária
Apesar de o termo "interdição" indicar que o estabelecimento foi fechado, a medida não significa necessariamente que a clínica ficará impedida de funcionar de forma permanente.
De acordo com a Vigilância Sanitária, a decisão leva em conta o risco encontrado durante a inspeção. Quando a situação é considerada grave, a interdição pode ser determinada imediatamente, com ou sem multa.
Em casos menos graves, o responsável pode receber um prazo para corrigir os problemas. Se as adequações não forem feitas, outras sanções podem ser aplicadas.
Quando as irregularidades são corrigidas, o estabelecimento pode solicitar a desinterdição e voltar a funcionar. O próprio município mantém um serviço específico para esse procedimento.
Em 2025, 67 estabelecimentos foram desinterditados em Campinas. Neste ano, até o momento, são 57.
Como o paciente pode se proteger
Antes de marcar uma consulta ou realizar um procedimento odontológico, o paciente também pode tomar alguns cuidados simples.
A orientação da Vigilância Sanitária é verificar se o estabelecimento possui licença sanitária, que deve estar exposta em local visível ao público.
Também vale observar a limpeza do ambiente e do profissional, conferir a conservação e a validade dos produtos utilizados e perguntar sobre os procedimentos de esterilização dos instrumentos.
A Prefeitura de Campinas disponibiliza orientações para consulta e licenciamento de estabelecimentos que realizam atividades de interesse à saúde.
Denúncias podem ser feitas pelo 156
Quem identificar possíveis irregularidades sanitárias em consultórios ou clínicas pode fazer uma denúncia à Prefeitura de Campinas pelo telefone 156 ou pelo WhatsApp (19) 2116-0156.
Dúvidas e pedidos de orientação à Vigilância Sanitária podem ser encaminhados pelo telefone (19) 2515-7134 ou pelo e-mail [email protected].