PF mira grupo que usava falsas malas diplomáticas em Viracopos

Investigação aponta entrada clandestina de mais de 230 toneladas de mercadorias; nove mandados são cumpridos e R$ 20 milhões em bens foram bloqueados

Agentes da PF de Campinas durante cumprimento de mandados da operação Rota Diplomática
Foto: Foto: Polícia Federal/Divulgação
Agentes da PF de Campinas durante cumprimento de mandados da operação Rota Diplomática

A Polícia Federal deflagrou, nesta quarta-feira (23), a Operação Rota Diplomática, que investiga um grupo suspeito  de usar falsas malas diplomáticas para introduzir  mercadorias estrangeiras clandestinamente no Brasil pelo Aeroporto Internacional de Viracopos , na cidade de Campinas, em São Paulo. 

Segundo a investigação, mais de 230 toneladas de mercadorias teriam entrado irregularmente no país entre 2023 e 2024. A Justiça Federal também determinou o bloqueio de aproximadamente R$ 20 milhões em bens dos investigados.

Nesta fase, são cumpridos nove mandados de busca e apreensão, expedidos pela 9ª Vara Federal de Campinas, em endereços de Indaiatuba, Santana de Parnaíba, São Paulo e Mauá.

Até o momento, não foram cumpridos mandados de prisão.

Como funcionava o esquema

De acordo com a PF, as cargas eram compostas principalmente por smartphones e outros produtos eletrônicos comprados nos Estados Unidos. Os volumes eram enviados ao Brasil com selos e outros elementos de identificação vinculados ao serviço consular do Chipre.

A suspeita é de que esses elementos fossem utilizados para simular que as mercadorias tinham o status de malas diplomáticas, numa tentativa de evitar a fiscalização.

A PF afirma que o esquema teria movimentado mais de 230 toneladas de produtos clandestinamente somente nos anos de 2023 e 2024.

O que é Chipre?

Chipre é um país insular localizado no leste do Mar Mediterrâneo, ao sul da Turquia e a leste da Grécia. A capital é Nicósia.

O país é membro da União Europeia desde 2004 e utiliza o euro como moeda desde 2008. A ilha tem uma população de cerca de 980 mil habitantes, segundo dados de 2025 da União Europeia.

O território cipriota é dividido de fato entre áreas sob controle do governo da República de Chipre e uma região administrada pela comunidade turco-cipriota, situação que permanece como uma questão internacional.

No caso investigado pela PF, a referência ao país aparece porque as cargas utilizavam identificações relacionadas ao serviço consular do Chipre para tentar aparentar que os volumes tinham natureza diplomática.

Até o momento, a investigação não aponta que autoridades ou representantes do governo cipriota tenham participado do esquema. A utilização das identificações é justamente um dos elementos que estão sendo apurados.

Mandados em quatro cidades

Os nove mandados de busca e apreensão são cumpridos em:

  • Indaiatuba (SP)
  • Santana de Parnaíba (SP)
  • São Paulo (SP)
  • Mauá (SP)

Além das buscas, a Justiça determinou o bloqueio patrimonial de aproximadamente R$ 20 milhões.

A medida busca preservar recursos e bens que possam estar relacionados aos crimes investigados. As diligências também devem reunir documentos e equipamentos que possam ajudar a PF a esclarecer a estrutura do grupo e a movimentação das mercadorias.

Quais crimes são investigados?

Segundo a Polícia Federal, os investigados poderão responder, em tese, pelos crimes de descaminho, organização criminosa e lavagem de dinheiro.

A operação continua nesta quarta-feira e novas informações podem ser divulgadas conforme o avanço das investigações.