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Ocupação Mandela está ameaçada de sofrer nova reintegração de posse no final de agosto.
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Ocupação Mandela está ameaçada de sofrer nova reintegração de posse no final de agosto.


Um grupo de moradores da ocupação Nelson Mandela , no Jardim Nossa Senhora Aparecida, de Campinas , protestou na tarde desta quinta-feira (30), durante entrega do terminal do BRT do Satélite Íris, feita pela Prefeitura, por conta da situação que estão vivendo.

Com a reintegração de posse do terreno marcada para o dia 31 de agosto, as famílias estão preocupadas como farão para sobreviver após a data - isso porque mais da metade delas pode ficar de fora de um programa de auxílio-aluguel oferecido pela Administração.

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Segundo a moradora Tamires Batista Gomes Ramos, de 28 anos, a Secretaria de Habitação de Campinas ofereceu 45 auxílios-aluguel, mas a ocupação atualmente tem 108 famílias cadastradas. "Deixaram de lado a maior parte das famílias, muito mais que a metade. E não passaram nenhum tipo de solução para a gente", afirmou.

A ocupação está há três anos no terreno, em cerca de 5 mil metros quadrados da área que tem 300 mil no total. As famílias ocuparam o local após sofrerem a reintegração de posse da antiga área, no Jardim Capivari, em 2017 onde viviam 600 famílias.

Em nota oficial, a Cohab (Companhia de Habitação Popular de Campinas) disse que "jamais abandonou essas famílias e sempre buscou alternativas habitacionais que contemplassem essa população", mas não comentou o número de auxílios oferecidos - o motivo do protesto de hoje (leia mais abaixo). 

O QUE DIZ A PASTA 

Segundo a Secretaria, um acordo foi feito no dia 31 de janeiro de 2019 para a suspensão da reintegração de posse por 12 meses. Naquela ocasião as partes acordaram em não deixar aumentar o número de ocupantes e forneceram uma listagem com os nomes das famílias que se encontravam na ocupação.

No entanto, passados os 12 meses acordados, em 31 de janeiro deste ano, em mais uma rodada de negociações intermediada pela Cohab-Campinas, a data de permanência dos ocupantes na área foi prorrogada para 31 de agosto de 2020.

Como o prazo para a desocupação está se aproximando e o proprietário da área não quer mais fazer nenhum tipo de acordo de prorrogação da reintegração de posse, de forma inédita, a Habitação encontrou uma saída especialmente pelo momento da pandemia do Novo Coronavírus.

Para evitar que aquelas famílias constantes da ocupação inicial e que cujos nomes figuram na lista do processo judicial ficassem desassistidas neste momento, a Habitação vai oferecer a essas famílias o Auxílio Moradia Emergencial, atualmente no valor de R$ 605 (seiscentos e cinco reais) por seis meses, renováveis por mais um período de seis meses.

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