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Déficit de policiais civis em Campinas é pior que o do Estado, diz sindicato
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Déficit de policiais civis em Campinas é pior que o do Estado, diz sindicato

Dados disponibilizados pelo SINDPESP (Sindicato dos Delegados de Polícia do Estado São Paulo) mostram que Campinas apresenta um déficit no número de policiais civis maior do que o registrado em todo o Estado.  

Os dados do sindicato revelam que São Paulo tem 27.732 policiais civis - apesar da legislação determinar que a Polícia Civil tenha 41.912 agentes para a atividade-, com déficit de 14.180 profissionais em números absolutos, o que representa quase 33,83%, mais de um terço do efetivo total. 

Em Campinas, o cenário não é diferente, e é ainda pior em números absolutos. Somente na 1º Delegacia Seccional o déficit do efetivo é de 56%, sendo que dos 423 cargos previstos, entre delegados e agentes policiais, apenas 238 são ocupados.  


Na 2ª Seccional, o cenário também é de sobrecarga, com apenas 48% dos cargos ocupados. Dos 281 cargos previstos, apenas 135 estão ocupados, somando a falta de 146 profissionais.  

Entre os cargos em falta, estão em menores quantidades do que a prevista delegados, escrivães, investigadores, agentes policiais, entre outros (veja os números abaixo). Conforme notado pelos moradores, essa falta tem colaborado para que casos de furtos, desaparecimentos e outros crimes não sejam solucionados. 

DÉFICIT 1ª DELEGACIA SECCIONAL: 

- Delegado (cargos ocupados: 25 // cargos previstos em lei: 30)
- Escrivão (ocupados: 46 // previstos em lei: 111)
- Investigador (ocupados: 109 // previstos em lei: 161)
- Agente policial (ocupados: 44 // previsto em lei: 79)
- Agente telecomunicação (ocupados: 11 // previsto em lei: 24)
- Papiloscopista (ocupados 2 // previsto em lei: 6)
- Aux. papiloscopista (ocupados: 1// previsto em lei: 12) 

DÉFICT 2ª DELEGACIA SECCIONAL: 

- Delegado (cargos ocupados: 15 // cargos previstos em lei: 24)
- Escrivão (ocupados: 40 // previstos em lei: 70)
- Investigador (ocupados: 48 // previstos em lei: 102)
- Agente policial (ocupados: 22 // previsto em lei: 56)
- Agente telecomunicação (ocupados: 7 // previsto em lei: 16)
- Papiloscopista (ocupados 0 // previsto em lei: 5)
- Aux. papiloscopista (ocupados: 3// previsto em lei: 8) 

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CASOS SEM SOLUÇÃO 

O déficit no número de policiais tem colaborado para que muitos casos na região permaneçam sem solução. A copeira Aparecida Rodrigues até hoje busca respostas sobre o desaparecimento da filha, a psicóloga Érica Rodrigues, de 38 anos, que desapareceu depois de uma forte chuva em 16 de março de 2015 e não foi mais encontrada.  

Érica estava grávida de três meses e o carro dela foi encontrado dentro do córrego do Piçarrão, em Campinas. Na época, policiais e bombeiros fizeram buscas, mas a investigação não avançou. Cinco anos e sete meses se passaram e dona Aparecida não tem qualquer informação sobre o paradeiro da filha. 

"Eu não tive um corpo para enterrar, eu não tive nada. Eu choro e eu penso que eles poderiam ter feito mais para encontrar minha filha", comentou. 

Segunda dona Aparecida, a polícia nunca deu uma satisfação pra família. "Eles sempre diziam a mesma coisa: já fizemos tudo o que é possível, agora tem que aguardar, e se a senhora tiver algo novo, a senhora vem aqui que a gente investiga. 

Mas não são eles que têm que procurar? eles que são experientes. Isso me dói muito, esse descaso me dói muito. Nesses cinco anos e sete meses eu vivo na incerteza", lamentou. 

Outro morador, que preferiu não se identificar, disse que teve o carro roubado no mês passado. Com a demora no atendimento na delegacia, ele foi orientado a registrar o boletim pela internet, mas até hoje não teve nenhum retorno. Com isso, ele conta que já perdeu as esperanças de ter o carro recuperado. 

"Até o momento eu não tive nenhum feedback, nenhuma resposta e ninguém entrou em contato comigo. Então assim, a gente fica bem decepcionado com essa parte de investigação. Eu tornei mais um número, mais uma vítima sem respostas", disse.  

SINDICATO 

De acordo com Raquel Kobashi Gallinati, presidente do sindicato, a Polícia Civil vem trabalhando com o efetivo semelhante ao dos últimos 20 anos. Ainda segundo ela, essa falta traz prejuízos a muitos setores da sociedade. 

"É uma situação em que, quando você desestrutura o pilar dos direitos sociais, você desestrutura totalmente uma sociedade e isso resulta no caos que presenciamos", argumentou. 

Raquel destaca que a contratação de efetivo deve ser tratada com mais prioridade. "Esses concursos são muitos morosos em suas elaborações e etapas, e não são de uma forma automática, e os candidatos que foram aprovados estão aguardando até a agora a convocação, com o perigo de expirar o prazo e esses candidatos não serem nomeados", finalizou.  

SSP 

Procurada para comentar esse déficit, a SSP (Secretaria de Segurança Pública) respondeu que investe na valorização, ampliação e recomposição do efetivo policial em todo o Estado, e que a atual gestão reajustou em 5% o piso salarial dos policiais, equiparou o auxílio alimentação dos agentes, além de ter ampliado a bonificação por resultados, que passa a ser bimestral. 

O órgão informou ainda que o governo de São Paulo também autorizou a abertura de mais 2.750 vagas para concursos da Polícia Civil, sendo 250 delegados, 900 investigadores e 1.600 escrivães. Contudo, em razão do decreto 64.937, de 13 de abril de 2020, as novas contratações estão temporariamente suspensas, a fim de que os recursos sejam destinados ao combate ao coronavírus.

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