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Vestidos de papai Noel, amigos fazem visitas e levam doaes a asilos
Reprodução: ACidade ON
Vestidos de papai Noel, amigos fazem visitas e levam doaes a asilos

Acompanhada do clima natalino, a solidariedade costuma emergir em peso no coração das pessoas nesta época do ano. São várias as ações realizadas para tornar especial o Natal daqueles que pouco têm.  

Alguns têm o privilégio de celebrar as festas perto de quem se ama, com uma bela ceia e dezenas de presentes. Já outros passam a data sozinhos, sem muita fartura e conforto. E é o Natal dessas pessoas que anualmente o grupo "Natal dos Velhinhos" busca alegrar. Vestidos de papai e mamãe Noel, eles visitam e levam doações a asilos de Campinas e região.

O COMEÇO  

Tudo começou há cinco anos, quando o gerente de TI Carlos Alberto Heitmann decidiu reunir uma galera e fazer uma visita ao asilo onde a avó dele estava hospedada. "Ela ficava nessa casa, eu me vestia de papai Noel, levava uma lembrancinha para o pessoal de lá, e fazia uma gracinha para ela", relembra.  

No ano seguinte, com o sucesso dessa primeira visita, outras casas de repouso ficaram sabendo da ação e convidaram Carlos para repetir a programação. Além da visita, ele também queria levar doações aos idosos, por isso fez uma publicação nas redes sociais, em que pedia a colaboração de outras pessoas.   

Grupo faz visitas em asilos de Campinas e região. (Foto: Divulgação)


"Foram visitas rápidas, só para brincar com os idosos. Daí em 2018 a gente já conseguiu R$ 5 mil de doação, e visitamos cinco casas de repousos, e eu levei produtos como de limpeza e até panetone. A gente ligava e entrava em contato com as casas de repouso para saber o que eles estavam precisando, e acabava ajudando de alguma maneira", conta.  

Em 2019 o projeto cresceu e o grupo arrecadou quase R$ 11 mil em doação. Esse ano, entendendo que outras entidades da região também precisam de ajuda, eles decidiram estender as visitas a uma casa de HIV positivo e psiquiatria.  

"Ano passado, se eu não me engano, foram 13 casas. Esse ano a gente quer fazer 15, e as doações já estão quase em R$ 30 mil. A gente vai levar só fralda e leite, que é o principal. Para cada casa são 1 mil fraldas, sendo 500 fraldas e 500 forros de fraldas, e 10 caixas de leite para cada casa. Nós já fizemos seis casas nesse primeiro final de semana de dezembro e vamos fazer mais seis nesse próximo final de semana", revela Carlos.  

DE LONGE

Esse ano, com todas as limitações da pandemia, as visitas terão que ser restritas. Pelo fato de que os idosos pertencem ao grupo de risco para a doença, os calorosos abraços serão substituídos por palavras de conforto e de esperança ditas de longe.  

"Faremos as visitas com mais cuidado, obviamente. A gente não toca nos idosos, nas pessoas. É uma lástima porque o contato é importante  
para eles. Mas a gente está tomando cuidado por causa da pandemia", destaca.  

Apesar disso, Carlos não tem dúvida de que será mais um Natal de transformação para os idosos e aos integrantes do grupo.   

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Grupo faz visitas em asilos de Campinas e região. (Foto: Divulgação)


CORRENTE DO BEM

A vendedora Raissa Roberto de Medeiros Silva participa da campanha todos os anos e acredita que essa iniciativa confirma um antigo clichê: um gesto de amor cria uma corrente.  

"E todo esse amor nós recebemos de volta em cada visita que fazemos. Cada idoso e interno tem uma história de vida diferente, mas são pessoas que sabem o valor da vida e a importância de todos os instantes do amor. E são instantes que essa ação proporciona tanto para nós quanto para eles. É um pequeno gesto que faz a diferença na vida deles e na nossa também!", expõe. 


A gerente Inayê Nogueira Olivetto também compartilha da ideia de que o bem gera o bem. Ela conta que desde criança sempre quis melhorar o mundo e se preocupava em fazer o bem. O tempo foi passando e os pais de Inayê envelheceram. Esse foi o primeiro contato que ela teve com casas de repouso.  


"Coincidentemente, me deparei com o trabalho iniciado pelo Carlos. Um pouco pelo meu pessoal e um tanto pelo que eu sempre fui. Não pude ficar de fora. É extremamente gratificante levar conforto, amor e carinho para pessoas que precisam. Principalmente no Natal, onde a caridade, o amor ao próximo e compaixão entram em evidência! Também envolvi meu filho Raphael, que ajuda como duende do Papai Noel, a quem aproveito para transmitir os bons valores e a conscientização social. Enfim, somos muito gratos por fazer parte deste grupo e por poder disseminar o bem", comenta.  

A gestora de RH Gislaine Heitmann também faz parte do grupo e destaca que pequenos gestos podem significar muito. Para ela, é importante que toda a população se envolva em questões sociais.  

"A gente não pode só ficar esperando dos órgãos públicos. Nós civis podemos sim ajudar outras pessoas, independente do governo. Eu acredito muito na parceria do público e privado. É uma realização gratificante, ver o que uma máquina de costura e uma caixa de leite podem representar. Às vezes a gente tem tanto coisa em casa que não damos valor, e esse grupo fez com que a gente olhasse para isso, olhasse para o próximo", complementa.  

Formado por cerca de 25 pessoas, o grupo "Natal de Velhinhos" já é figura carimbada nos asilos da região. Por acreditarem que a data deve fazer sentido para todos, eles anualmente dedicam seus finais de semana de dezembro para causas sociais, e incentivam outros grupos a fazerem o mesmo. "O bem gera o bem", finaliza Carlos. 

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