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Vacinação a toque de caixa, defende coordenador dos testes na Unicamp
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Vacinação a toque de caixa, defende coordenador dos testes na Unicamp

O médico infectologista Francisco Hideo Aoki , docente da FCM (Faculdade de Ciências Médicas) da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) defende que a vacinação contra a Covid-19 seja feita a "toque de caixa". 

Aoki coordenou os testes com a vacina Coronavac na Unicamp, que no total envolveram ainda quase 13.000 voluntários aptos, entre médicos, residentes, fisioterapeutas, técnicos, enfermeiros e outros profissionais da área de saúde em contato direto com ambientes onde estavam altamente expostos ao SarsCov2 e muito propícios a se infectar com o vírus pandêmico.

Em entrevista à Unicamp, o docente faz críticas severas às autoridades da saúde que "têm a caneta na mão e assinam errado ou não assinam o que devem", defendendo o início imediato da vacinação com a CoronaVac. 

"Temos vacina, segura, milhões de doses para uso já, capacidade de produção no Instituto Butantan, mecanismo de distribuição adequado e condições ambientais de manutenção dentro da cadeia de frios já existente para a vacina comum (entre 2º C e 8º C). A vacinação pode reduzir drasticamente o número de internações e de óbitos, permitindo que quem se infecte não desenvolva doença grave com necessidade de internação. Que iniciemos a toque de caixa a vacinação para Covid-19, temos tudo para transformar 2021 no ano da recuperação de um pouco de normalidade em nosso país", disse. 

EFICÁCIA

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Aoki concedeu a entrevista que segue antes da polêmica causada pelos índices aparentemente díspares de 78% e depois de 50,39% anunciados pelo governo paulista, e da aprovação do seu uso emergencial pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), mas ele continua comemorando, como sustentou posteriormente. 

"Os 50,39% expressam a grau de proteção geral e coletivo em um grupo de voluntários altamente expostos à SarsCov2, num desafio proposital por parte dos colegas do Butantan de submeter a vacina à prova entre profissionais de saúde que atendem pacientes e estão em ambiente hospitalar onde este vírus circula muito intensamente. Esta condição de estresse máximo dos profissionais, em hospitais e clínicas, mostra quão importante é o estudo capitaneado pelo Butantan", afirmou.

O resultado de 50,39% é expressivo, ressalta o médico, e está de acordo com os ditames da OMS (Organização Mundial da Saúde), da Anvisa e certamente dos órgãos regulatórios de todos os países. 

"Várias vacinas demonstram eficácia de cerca de 60% (pouco mais ou até menos) e estão liberadas, cumprindo o papel de proteger as populações. Já a proteção de 78% significa que indivíduos expostos, e mesmo vacinados com duas doses, desenvolveram apenas a forma leve e no máximo mediana da doença, sem necessidade de internação. E, embora com número pequeno para uma análise definitiva, a cifra de 100% de indivíduos sintomáticos que não tiveram doença na forma de mediana gravidade, grave ou óbito, não chegando às UTIs, também é importante". 

VACINAÇÃO

Quanto à execução da vacinação propriamente dita, Aoki vê muita tergiversação, que considera inadequada no momento em que mais de 200 mil brasileiros perderam a vida, em curtíssimo espaço de tempo, sem que se tenha um programa bem estabelecido para todo o país. 

"É lamentável, para não dizer palavras indizíveis. A própria imprensa tem veiculado as dificuldades causadas pelo sub ou não financiamento para tudo que se refira ao combate à pandemia de Covid-19, o bate-cabeça entre dirigentes, o puxa daqui e empurra para ali. Muito triste isso. E constatar que o Brasil possui um dos maiores programas de vacinação pública do mundo, com inteligências que podem ser acionadas a todo momento. Porém, a opção não é esta".

O infectologista da Unicamp alerta que estamos caminhando celeremente para um número superior a 230 mil óbitos até o final deste mês de janeiro, já havendo mais de 8 milhões de indivíduos diagnosticados com Covid-19, sem considerar os não testados. 

"A população brasileira tem permanecido refém desta política nefasta e destruidora do país, quando há uma necessidade muito grande de vacinação, que deve variar de 50% a 80%, ou até mais, para que se atinja a denominada imunidade coletiva e sem deixar de monitorar constantemente, com programas de testagem em massa, visando o bloqueio de indivíduos disseminadores da SarsCov2 no seio da sociedade".

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