ACidade ON

Com mais de 9 mil mortes, 2020 foi o ano mais mortal da história de Campinas
Reprodução: ACidade ON
Com mais de 9 mil mortes, 2020 foi o ano mais mortal da história de Campinas

O ano de 2020 se tornou o mais mortal da história de Campinas, em virtude da pandemia do novo coronavírus. É o que aponta o levantamento feito pela Arpen (Associação Nacional dos Registradores de Pessoas Naturais), com dados do Portal da Transparência. 

Os óbitos registrados pelos cartórios de Campinas em 2020 totalizaram 9.004 mortes, 13,9% a mais que no ano anterior, superando a média histórica de variação anual de mortes no município que era, até 2019, de 1,1% ao ano. 

O levantamento mostra ainda que, desde o início da série histórica das Estatísticas Vitais de óbitos do Registro Civil, em 2004, nunca morreram tantos moradores do município em um só ano, e nunca houve uma variação anual de óbitos tão grande como a ocorrida na comparação entre 2019 e 2020. 

Segundo a associação, o número de óbitos registrados durante o ano passado pode aumentar ainda mais, assim como a variação da média anual, uma vez que os prazos para registros chegam a prever um intervalo de até 15 dias entre o falecimento e o lançamento do registro no Portal da Transparência. 

"Além disso, alguns Estados brasileiros expandiram o prazo legal para registro de óbito em razão da situação de emergência causada pela covid-19", disse a Arpen. 

AUMENTO DE OUTRAS DOENÇAS

A pandemia trouxe também reflexo em outras doenças que registraram aumento considerável na variação entre os anos de 2019 e 2020. Foi o caso das mortes causadas por doenças respiratórias, que cresceram 27,5% na comparação entre os anos, passando de 3.353 para 4.275. 

Você viu?

Entre as doenças deste tipo, a SRAG (Síndrome Respiratória Aguda Grave) explodiu, registrando crescimento de 522%, seguida pelas de Causas Indeterminadas, que registraram aumento de 100%. 

Já entre os óbitos causados por doenças cardíacas, muitas vezes relacionadas à covid-19, a comparação entre 2019 e 2020 aponta um aumento de 37,3% nas Causas Cardiovasculares Inespecíficas, sendo que o crescimento dos óbitos em domicílio é uma das explicações para o diagnóstico inespecífico das mortes causadas por doenças do coração. 

No estado de São Paulo, as doenças respiratórias cresceram 27,5% no mesmo período comparativo. A Síndrome Respiratória Aguda Grave registrou aumento de 723%, e as Causas Indeterminadas, 26,7%. 

Em relação às doenças cardíacas, a comparação entre os dois anos mostra um crescimento de 6,4%, com a maior alta por Causas Cardiovasculares Inespecíficas, 50%. 

MORTES EM CASA

A pandemia também fez com que o número de mortes em domicílio disparasse na cidade de Campinas, se comparado os anos de 2019 e de 2020, registrando um aumento de 16,4%. De acordo com especialistas, o aumento pode ser explicado pelo receio das pessoas frequentarem hospitais ou mesmo realizarem tratamentos de rotina durante a pandemia, assim como a falta de leitos em momentos críticos da covid-19 no Brasil. 

Com isso, as mortes por Septicemia fora de hospitais cresceram 32,6%. Também aumentaram os óbitos por Insuficiência Respiratória (11,3%) e SRAG (7%). Os registros de óbitos, feitos com base nos atestados assinados pelos médicos, apontam que 63 moradores do município morreram de covid-19 em suas casas. 

Os óbitos por Causas Cardiovasculares Inespecíficas fora de hospitais também dispararam em 2020, com registro de aumento de 37,1% na comparação com o ano anterior, muito em razão de o falecimento ocorrer sem assistência médica, dificultando a qualificação da doença. Também cresceram os óbitos em casa por AVC (Acidente Vascular Cerebral), aumento de 32,2%. 

Já em nível estadual, os óbitos em domicílio cresceram 15,3% no mesmo período comparativo, aumentando em 1.600% as mortes por SRAG, 11,6 por Septicemia e 47,9 por Causas Indeterminadas. 

De acordo com os atestados médicos, 1.492 paulistas morreram de covid-19 em suas casas. Os óbitos por Causas Cardíacas fora de hospitais tiveram alta de 22,4% em 2020. As Causas Cardiovasculares Inespecíficas (118%) e o AVC (18,6%) aparecem em seguida.

"

    Veja Também

    Mais Recentes

      Comentários