Doria deve anunciar medidas mais restritivas da quarentena hoje
Reprodução: ACidade ON
Doria deve anunciar medidas mais restritivas da quarentena hoje

O governador João Doria (PSDB) deve anunciar medidas mais rígidas para conter o avanço da pandemia no estado de São Paulo hoje (9). Até mesmo a restrição de horário para comércios essenciais, como supermercados e farmácias, é analisada. 

As novas medidas devem ser definidas durante reunião nesta quarta-feira (10), antes da entrevista coletiva em seguida, por volta das 12h45. Segundo fontes do estado, o governo rejeita um novo "faseamento" dentro do Plano São Paulo, que tem hoje a fase vermelha como a mais rígida entre cinco. 

Diante do aumento da pressão por leitos em UTI e o número crescente de óbitos, o Centro de Contingência analisa restringir o horário de funcionamento de supermercados, açougues e padarias. São serviços essenciais que, atualmente, podem receber clientes livremente, seguindo os protocolos de segurança. 

O governo também deve anunciar a suspensão do Campeonato Paulista, após recomendação do procurador-geral de Justiça, Mario Sarrubbo. O procurador recomendou  também que sejam suspensas as atividades religiosas coletivas presenciais. 

Não há previsão de alteração no funcionamento das escolas públicas e particulares, que continuam abertas mesmo na fase vermelha por terem sido classificadas como serviços essenciais, podendo atender até 35% dos alunos. 

No entanto, nesta terça, uma decisão do Tribunal de Justiça determinou que professores e outros servidores não podem ser convocados para atividades letivas presenciais. O governo estadual deve recorrer da sentença para que as atividades educacionais não sejam interrompidas.   

Além do pronunciamento de Doria, o prefeito de Campinas, Dário Saadi (Republicanos) fará uma live hoje pela redes sociais para atualizar dados do coronavírus e a situação da pandemia, informar sobre a abertura de mais leitos no município e apresentar o Painel Covid, uma ferramenta de transparência de dados da pandemia em Campinas.

SITUAÇÃO CRÍTICA

Há ao menos duas semanas, os técnicos do Centro de Contingência pressionam por medidas mais restritivas no estado, mais próximas a um lockdown -quando só se pode circular para tarefas urgentes, como comprar comida ou remédios. 

Nesta terça, 19 hospitais estaduais paulistas atingiram 100% da ocupação de leitos de UTI para Covid-19, e outros seis estão com taxas superiores a 95% de ocupação e estão perto de saturar.  

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Um dos hospitais que atingiu ocupação máxima é o Hospital Estadual de Sumaré, com 100% dos leitos ocupados. Em Campinas, ontem o HC (Hospital de Clínicas) da Unicamp  suspendeu os atendimentos e as cirurgias eletivas alegando lotação máxima na UTI. Além da UTI, a ocupação no PS (Pronto Socorro) está em 350%, segundo a Unicamp.  

Na rede municipal de Campinas, a situação também é grave, sendo que ontem a ocupação era de 99,16%. O colapso na rede de saúde pública ocorre desde o dia 21 de fevereiro, quando Campinas atingiu 100% de ocupação na rede municipal .  

No DRS (Departamento Regional de Saúde) de Campinas a taxa total de ocupação de leitos para UTI-Covid é de 85,2% - considerada alta. Segundo dados da Fundação Seade, só ontem a região teve 2.369 novas internações.

NÚMEROS ALTOS

São Paulo foi o estado com maior número de mortes registradas nesta terça e bateu recorde de óbitos, 517 (antes, no dia 29 de julho de 2020 o estado tinha registrado 713 óbitos, mas tratava-se da soma do dia em questão e do anterior, quando ocorreu um problema técnico com os registros). 

Com isso, São Paulo chegou a 62.101 mortes pela doença em um ano de pandemia. O estado também atingiu ontem a maior taxa de ocupação dos leitos de UTI, com 82% deles ocupados. 

A equipe do Centro de Contingência avalia ser urgente adotar medidas mais restritivas já que o estado não consegue abrir novos leitos de UTI na velocidade em que têm sido demandados nesta nova onda da pandemia. 

Nesta semana, foram, em média, cerca de 120 pedidos por dia em leitos de UTI. Para tentar contornar a situação, o governo estadual anunciou a abertura de 780 novos leitos com instalação prevista até o fim de março, sendo 479 de UTI. Outros 11 hospitais de campanha estão previstos para reforçar os quatro já existentes. 

Apesar da ampliação de leitos e de municípios terem cancelados cirurgias eletivas, o próprio governo admite que a estrutura atual não tem acompanhado a demanda. 


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