Fase vermelha segue em São Paulo sem mudanças em restrições
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Fase vermelha segue em São Paulo sem mudanças em restrições

A fase vermelha do Plano São Paulo de flexibilização da quarentena seguirá sem a ampliação de restrições, informou nesta quarta-feira (10) o governo estadual. O aperto nas restrições era aguardado no anúncio de hoje, em coletiva do governador João Doria (PSDB), devido a piora nos índices da covid-19 e o colapso em diversos hospitais, incluindo em dois da região de Campinas.

No entanto, Doria anunciou o aumento no número de leitos para combate a covid-19 e vacinação para idosos de 72, 73 e 74 anos a partir do dia 22 de março, além de criticar o posicionamento do governo federal diante da crise no Brasil (leia mais abaixo). Sobre novas restrições, o governo disse que anunciará as medidas se for necessário.

"Hoje temos medidas da fase vermelha, que suspende as atividades não essenciais. Temos discutido com o governo de (adotar) novas medidas mais restritivas. Estamos trabalhando nisso, e acredito que, conforme seja necessário, o governador vai anunciar novas medidas. Tudo indica que sim. Isso porque vemos um movimento crescente de internações e óbitos", disse o coordenador do Centro de Contingência da covid-19, Paulo Menezes.

Entre as medidas esperadas estavam o anúncio da suspensão das partidas de futebol e também do funcionamento de igrejas - medidas estas recomendas pelo Ministério da Saúde e que a Secretaria de Estado de Saúde afirmou que avaliava ontem.

Sobre isso, Menezes afirmou que as recomendações do MP estão sendo avaliadas junto com outras para aumentar o isolamento social. "Precisamos reduzir o contato entre as pessoas. Isso se faz ficando em casa. Já tivemos um resultado positivo na fase vermelha, medido pelo isolamento social. Sobre as recomendações, elas podem fazer parte de uma série de medidas que vão se somar. Estamos trabalhando nisso", disse.

Também era esperada uma determinação que restringiria ainda mais a fase vermelha com a determinação do horário de funcionamento dos serviços essenciais que, atualmente, podem receber clientes livremente, seguindo os protocolos de segurança. Desde o dia 6 de março, o estado está na fase vermelha do Plano São Paulo, porém os índices da pandemia pioraram e a rede de saúde, colapsou.

CRÍTICAS AO GOVERNO FEDERAL


O governador também criticou o posicionamento do governo federal em relação à pandemia. Ele afirmou que foram vários os motivos que prejudicaram a situação da pandemia. "Existe uma falta de coordenação nacional de combate ao vírus. Ao contrário. Temos a insistência do governo federal em recomendar tratamentos inócuos. Um desastre completo. Além da demora na compra de vacinas e o equívoco em ter apostado e uma única vacina, não em um complexo de imunizantes", disse.

Ele afirmou ainda que o governo Bolsonaro criou dificuldades para a aplicação da vacina do Instituto Butantan, a Coronavac. "Ela já estava em solo brasileiro em novembro. Já poderíamos ter começado a vacinação. Neste momento poderíamos, ao invés de chorando, estar festejando a imunização e a redução de casos", disse.

Doria disse também que o Brasil virou um "pária" no mundo, devido ao número recorde de mortes por covid-19. "Na perspectiva da segunda onda, ela já acendeu um alerta vermelho sobre o Brasil no restante do mundo. A OMS (Organização Mundial de Saúde) já observou que o país aponta risco para os vizinhos da América do Sul e recomendou o isolamento do Brasil. Não faltará muito para que este alerta seja feito para todo o mundo. O nosso país está se tornando um pária, o país mais indesejado, o mais refratado, incluindo seu povo que não tem responsabilidade. As fronteiras estão sendo fechadas para o povo", disse.

HOSPITAIS

Na região de Campinas, dois hospitais colapsaram devido a ocupação máxima. São o HC (Hospital de Clínicas) da Unicamp - que suspendeu ontem os atendimentos por 24 horas e as cirurgias eletivas - e o Hospital Estadual de Sumaré, com 100% dos leitos ocupados. Hoje, a Unicamp realiza uma reunião para avaliar a situação e quais novas medidas podem ser tomadas.

No SUS municipal de Campinas, a situação também é grave, sendo que ontem a ocupação era de 99,16 % e desde o dia 21 de fevereiro a rede está sob enorme pressão, chegando a atingir 100% de leitos ocupados na UTI-Covid. No Estado, ao menos 20 hospitais também estão com 100% dos leitos ocupados devido ao avanço de covid.

No DRS (Departamento Regional de Saúde) de Campinas a taxa total de ocupação de leitos para UTI-Covid é de 85,2% - considerada alta. Segundo dados da Fundação Seade, só ontem a região teve 2.369 novas internações.

LEITOS

Por conta da situação, Doria anunciou a abertura de mais 338 leitos para todo o estado, sendo 167 de UTI. Este é o terceiro anúncio de novo leitos em duas semanas. No período, foram abertos 1.118 leitos hospitalares, sendo que 676 de UTI em São Paulo.

Em Campinas, o governo estadual informou ainda que o AME (Ambulatório Médico de Especialidades) atuará como um "hospital de campanha", com leitos transformados para covid. No entanto, não há data ainda para o ínicio desse atendimento, mas ele deve começar em março.

O QUE PODE FUNCIONAR NA FASE VERMELHA


Saúde: hospitais, clínicas, farmácias, clínicas odontológicas, lavanderias e estabelecimentos de saúde animal.

Alimentação: supermercados, hipermercados, açougues e padarias, lojas de suplemento, feiras livres. É vedado o consumo no local.

Bares, lanchonetes e restaurantes:
permitido serviços de entrega (delivery) e que permitem a compra sem sair do carro (drive thru). Válido também para estabelecimentos em postos de combustíveis.

Abastecimento: cadeia de abastecimento e logística, produção agropecuária e agroindústria, transportadoras, armazéns, postos de combustíveis e lojas de materiais de construção.

Logística: estabelecimentos e empresas de locação de veículos, oficinas de veículos automotores, transporte público coletivo, táxis, aplicativos de transporte, serviços de entrega e estacionamentos.

Serviços gerais: lavanderias, serviços de limpeza, hotéis, manutenção e zeladoria, serviços bancários (incluindo lotéricas), serviços de call center, assistência técnica de produtos eletroeletrônicos e bancas de jornais.

Segurança: serviços de segurança pública e privada.

Comunicação social: meios de comunicação social, inclusive eletrônica, executada por empresas jornalísticas e de radiodifusão sonora e de sons e imagens.

Construção civil, agronegócios e indústria:
sem restrições.

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