Estudo mostra perfis de violência contra idosos em Campinas
Reprodução: ACidade ON
Estudo mostra perfis de violência contra idosos em Campinas

A negligência e o abandono são as principais formas de violência sofridas pelos idosos que vivem em Campinas. Um estudo desenvolvido pela Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) mostrou que as maiores vítimas desse tipo de violência são mulheres idosas, em grande parte das vezes, com pouca escolaridade.

Outros tipos de violência que afetam a vida da população idosa são as agressões psicológica, física e financeira. Além dessas características, há nesses casos uma triste realidade: o lar e a família podem não ser ambientes seguros para essas pessoas.

Os dados dos últimos 11 anos foram reunidos em uma pesquisa de doutorado desenvolvida no Programa de Pós-Graduação em Gerontologia da Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da Unicamp.   

 Eles foram coletados do Sistema de Notificação de Violência em Campinas (SISNOV), da Prefeitura Municipal. O trabalho mostra ainda que a situação da cidade reflete uma realidade vivida pela população idosa no país.

O Brasil tem hoje mais de 37 milhões de pessoas com mais de 60 anos. Só que a projeção para o futuro é que esse número aumente ainda mais.

Em 2021, a maioria da população tem entre 20 e 40 anos. Mas, esse cenário muda quando projetamos a expectativa para 2060 - o maior grupo de pessoas passa a ser com idades entre 60 e 65 anos.

A PESQUISA

A pesquisa realizada pela Unicamp aponta que a violência é praticada contra mulheres, viúvas e com baixa escolaridade.
Dos 1.217 casos notificados, 69,5% das vítimas eram mulheres e as principais formas de violência eram:

- 33,1% - negligência e abandono
- 24,9% - violência psicológica
- 20,2% - agressão física
- 12,8% - violência financeira

Ainda de acordo com o levantamento, 92,9% dos casos aconteceram em casa. E em 56,6% das ocorrências, o agressor era o filho.

Para o pesquisador e autor da pesquisa, Emmanuel Lopes, o fato é complexo e multifatorial. "As alterações provocadas pelo envelhecimento exigem uma demanda maior de cuidados. E a maioria dos cuidadores são informais, então são os próprios familiares fazem isso. E além de cuidarem dessas pessoas, os cuidadores têm outras atividades e não têm conhecimento sobre as alterações que causam a dependência desse idoso", disse. 

Ele ainda explica que a violência acaba não sendo notificada, não refletindo na realidade brasileira.

"No Brasil o maior problema da violência são as notificações que não refletem na realidade brasileira. No país as notificações acontecem com predomínio em três estados: São Paulo, Rio de janeiro e Minas Gerais. Às vezes a pessoa prefere se manter na situação de violência do que ver o filho preso", analisou a professora Maria José D'Elboux, que também participa da pesquisa.

Ela ainda explica que a mulher, que cuida mais da saúde, acaba atingindo uma longevidade maior. "Mas ao mesmo tempo, ela ganha quantidade de anos, mas não de qualidade de anos. Começam a aparecer resultados de problemas crônicos e fica mais dependente", contou.

PARA DENUNCIAR

O Disque Direitos Humanos - Disque 100 é um serviço disseminação de informações sobre direitos de grupos vulneráveis e de denúncias de violações de direitos humanos.

O serviço pode ser considerado como "pronto socorro" dos direitos humanos e atende graves situações de violações que acabaram de ocorrer ou que ainda estão em curso, acionando os órgãos competentes e possibilitando o flagrante.

Qualquer pessoa pode reportar alguma notícia de fato relacionada a violações de direitos humanos, da qual seja vítima ou tenha conhecimento.

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