Polícia investiga vida profissional de empresário morto em Valinhos pelo filho
Reprodução: ACidade ON
Polícia investiga vida profissional de empresário morto em Valinhos pelo filho

 Após um adolescente de 15 anos matar o pai, de 42, a tiros ontem (3) em um condomínio de luxo de Valinhos, a Polícia Civil começou a investigar a vida profissional da vítima. Isso porquê, segundo a investigação, ele escondia da própria família algumas informações, incluindo uma condenação por crime de estelionato. 

O delegado de Valinhos, João Neves Netto , responsável pela investigação, afirmou durante uma coletiva de imprensa realizada na tarde de hoje que foram realizadas novas diligências na casa da família para entender a vida profissional e familiar do empresário do ramo de equipamento eletrônicos. 

Hoje, a polícia levou para a delegacia um carro BMW, um McLaren e uma motocicleta. Também foram apreendidos computadores da vítima, além de equipamentos eletrônicos e mais munições de armas de diferentes calibres. Todos esses objetos vão passar por perícia. 

"Esse levantamento vai ser útil para que a gente consiga esclarecer a vida profissional da vítima e descobrir informações que até a própria família desconhece", disse. 

Além disso, durante oitivas, a equipe de investigação descobriu que em 2001 o empresário e a ex-mulher dele foram condenados pela Justiça do Paraná pelo crime de estelionato. O casal teria dado 15 cheques sem fundos. Os dois cumpriram a pena em liberdade. 

OUTROS PROCESSOS 

Ainda de acordo com o delegado, o empresário morto ainda estaria respondendo à vários outros processos.   

"Nós apuramos que a vítima possui documentos diversos, com diversos nomes. Existem registros envolvendo a vítima em ocorrências anteriores. Toda essa situação envolvendo vida profissional e familiar da vítima e demais envolvidos está sendo investigada", explicou. 

LEGÍTIMA DEFESA 

João Neves Netto ainda afirmou durante a coletiva de imprensa que o adolescente de 15 anos que atirou no pai em um condomínio de alto padrão agiu em legítima defesa. Ele vai responder pelo crime em liberdade

"Confrontamos todos os depoimentos. Tanto do adolescente como da mãe e de outras testemunhas. Todos disseram que era um ambiente onde havia violência doméstica. Por isso, tendo em vista essa situação vemos de maneira clara a legítima defesa do adolescente que quis defender a sua mãe", contou. 

Ele ainda afirmou que a família vivia sob constantes ameaças. "De acordo com relatos eles já haviam passado por constantes situações de violência psicológica e física", explicou. 

Ainda segundo eles, no dia anterior ao crime houve uma discussão e o homem ameaçou a família, colocando uma arma na cabeça deles. Ele chegou a dormir fora de casa e, ao voltar, teria continuado as ameaças. Mãe e filho tentaram ir embora da residência, mas ele teria os impedido e ficado ainda mais agressivo, dizendo que mataria a esposa. 

Por conta da situação, o filho de 15 anos atirou três vezes contra o pai e chegou a persegui-lo. O empresário tentou se esconder no carro da garagem, onde havia uma arma, mas o filho fez disparos e o homem morreu no local. 

VIOLÊNCIA DOMÉSTICA 

O delegado contou que a mulher do empresário foi questionada em relação ao fato de nunca ter denunciado o marido. "Ela disse que jamais pode fazer denúncia ou pedir auxílio por pressão psicológica", contou. 


O delegado ainda disse que a mulher já havia sido ameaçada de morte pelo empresário. "Ele teria dito à mulher que tentaria contra a vida dela caso ela o denunciasse", afirmou. 

ENTENDA O CASO 

O caso ocorreu por volta de 14h de ontem. Segundo a Polícia Civil, a ocorrência foi registrada como ato infracional de homicídio em legítima defesa. O jovem teria atirado no pai após ele agredir a mãe. 

O corpo do homem foi encontrado dentro de um carro na garagem da casa. Na versão do adolescente, após ser atingido com um tiro na região do abdômen, o pai teria ido até o veículo, onde havia outra arma. 

Para o homem não revidar, o filho então fez outros dois disparos contra o pai, que morreu dentro do carro. 

"Segundo eles, o homem era uma pessoa violenta, que portava armas e andava o tempo todo com elas na cintura no interior da residência, e ameaçava tanto a mãe quanto o filho constantemente. Havia funcionários na residência, que em partes colaboram com a versão deles e com a agressividade do falecido", afirmou o tenente Juliano Cerqueira, da Polícia Militar. 



ARSENAL DE ARMAS 

Na residência, a polícia encontrou um arsenal de armas, entre elas um fuzil, uma carabina e pistolas. Duas delas foram utilizadas pelo adolescente para matar o pai. 

Ainda em diligências realizadas hoje, mais munições de diversos calibres foram localizadas pela Polícia Civil.

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