TJ concede liberdade provisória a acusado de tocar seios de mulher em hospital.
Paula Vieira/SSP
TJ concede liberdade provisória a acusado de tocar seios de mulher em hospital.


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O homem de 65 anos acusado de ter tocado nos seios de uma funcionária de limpeza do hospital Vera Cruz, em Campinas, recebeu liberdade provisória nesta sexta-feira (12). De acordo com o TJ (Tribunal da Justiça), de São Paulo, foram impostas, no entanto medidas cautelares a ele.

Entre elas estão: "a proibição de manter contato com a suposta vítima, bem como se fazer presente em juízo sempre que intimado".

O caso ocorreu na tarde de ontem (11) e o paciente foi levado pela PM (Polícia Militar) à 2ª DDM (Delegacia de Defesa da Mulher) à tarde. Hoje, a mulher e o homem, aposentado, prestaram depoimento à Polícia Civil.

A vítima, de 23 anos, trabalha no setor de limpeza da unidade de saúde. Ela afirmou que ficou apavorada com a situação e disse que ele chegou a assediar outras pessoas. Já o homem é morador de Salto e estava internado no hospital de Campinas.

RELATO 

"Eu entrei no quarto e fui para o banheiro lavar. Ele me pegou de surpresa. Ele fechou a porta, eu 'tava' lavando o vaso. Aí, ele já chegou botando a mão nos meus seios. Ele falou assim: 'Nossa, você é muito tímida'. Eu já saí do quarto logo"
, relatou a mulher.

A vítima disse ainda que a técnica que estava lá com ela perguntou se algo havia acontecido, e ela respondeu que sim. "Ela falou pra mim que ele tinha, mais cedo, chamado ela de 'gostosa'. E, ontem, no plantão, ele assediou um rapaz também" , afirmou.

A mulher disse que está apavorada. "Estou apavorada. Eu juro que não queria nem voltar. Eu vou pedir para ser mudada de plantão. Eu não queria voltar, mas preciso. Que seja feita justiça, que ele pague pelo que ele fez. E que fique preso por um bom tempo, para ele aprender a nunca mais mexer com mulher nenhuma".


ADVOGADA

A advogada e uma das fundadoras da ONG "Coletivo Mulher pela Justiça", Thaís Cremasco, disse que mesmo quando não existe uma prova material do crime, é possível que o agressor seja condenado, com base dos depoimentos apresentados.

"A palavra da vítima tem um peso muito importante nesses processos de violência, porque nós sabemos que as testemunhas e as provas nestes casos são de difícil acesso para aquela mulher. Muitas vezes, uma violência, um assédio, acontece entre quatro paredes", disse.

Ela afirmou que somente através da denúncia haverá uma mudança efetiva na violência contra a mulher.

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OUTRO LADO

A assessoria de imprensa do Vera Cruz Hospital foi procurada para comentar o caso, mas não respondeu até o fechamento desta matéria. Assim que isso acontecer, o texto será atualizado com o posicionamento da unidade de saúde.

A empresa responsável pela limpeza terceirizada do hospital disse que lamenta o ocorrido e que dará "toda a assistência à colaboradora, tanto psicológica quanto jurídica".

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