Entenda os sintomas da dupla infecção por covid e gripe.
Carlos Bassan/Prefeitura de Campinas
Entenda os sintomas da dupla infecção por covid e gripe.

Nos últimos dias, o aumento de casos confirmados de infecção simultânea de gripe e de covid-19, denominada como "Flurona", vem preocupando cada vez mais as autoridades sanitárias.

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Nesta semana, ao menos três estados brasileiros confirmaram o aparecimento da coinfecção, sendo o Rio de Janeiro, Ceará e São Paulo. Em Campinas, a secretaria estadual confirmou hoje (5) que dois casos de dupla infecção foram registrados em 2021.

Segundo especialistas, a dupla infecção pode ser preocupante para os cidadãos mais vulneráveis, já que as duas doenças afetam o sistema respiratório superior e podem ser transmitidas pelo ar. O termo foi criado a partir da palavra "flu" (gripe, em inglês) e "rona" (de coronavírus).

Para entender melhor como ela age nas pessoas, o acidadeon Campinas conversou com a médica infectologista Noelle Miotto, do Hospital Puc-Campinas, que esclareceu algumas dúvidas sobre a dupla infecção por covid e gripe.

SINTOMAS PARECIDOS

De acordo com a médica, os sintomas das infecções são muito parecidos e podem agir ao mesmo tempo no organismo, como febre, dor de cabeça e dor de garganta. Por isso, a única forma de ter a confirmação da dupla infecção é realizando os testes disponíveis.

Apesar disso, ela explica que há uma diferença na velocidade do aparecimento dos sintomas para cada doença.

"A Influenza geralmente tem um início mais abrupto, com febre muito rápida e alta, muita dor de cabeça e dor no corpo. Já o coronavírus tem apresentado um aparecimento mais gradual, e os sintomas vão surgindo e ficando mais intensos a cada dia", explicou.

COMO AGIR?

Os dois vírus já possuem vacinas desenvolvidas que combatem e diminui os casos de complicações mais graves que afetam o sistema pulmonar. No entanto, os casos de Influenza já possuem um tratamento adequado protocolado pelo Ministério da Saúde.

"Pro vírus da Influenza já existe uma medicação indicada geralmente para casos mais graves, onde o ideal é a medicação no início dos sintomas. Mas para covid-19 sabemos que não temos um tratamento do vírus" afirmou. "No entanto, para casos confirmados ou suspeito da gripe, quando ainda não se tem o teste para covid, nada impedirá de usar o medicamento da Influenza com um acompanhamento médico até ter uma confirmação."

PODE TOMAR AS DUAS VACINAS?

Dessa forma, a infectologista reforça que, assim como a vacina da covid-19, a função da vacina da Influenza não é evitar completamente a contaminação, mas diminuir as chances de uma complicação mais grave.

"É recomendado tomar as duas normalmente, embora a da influenza tenha alguns critérios diferentes pra tomar ela nas unidades de saúde", lembrou. "Na verdade, nós sabemos que a cobertura da influenza não está muito boa e essa pode ser uma das causas que está contribuindo para o aumento desses casos", disse Miotto.

NOVA CEPA DA INFLUENZA

Segundo a médica, essa dupla contaminação com covid-19 não é comum e foram pouquíssimos os casos nos últimos dois anos.

"Acontece que agora tem uma nova cepa do vírus da Influenza que infelizmente as vacinas desenvolvidas da doença não dão conta. Ficou difícil elaborar uma vacina pois o vírus circulou pouco no último ano", disse.

Ela explica que todo ano uma nova vacina da Influenza é elaborada com base na cepa que circulou no ano anterior.



LOTAÇÃO NOS HOSPITAIS

Com alta nos casos de gripe, diversos Hospitais públicos e privados de Campinas registraram lotação na noite desta segunda-feira (3). Segundo a Prefeitura, a busca por atendimento está cinco vezes maior do que o normal para esse período do ano.

Para a médica Noelle, para saber qual vírus está impactando efetivamente no aumento de casos gripais em Campinas somente com uma testagem em massa.

"Mas podemos notar bastante o aparecimento da Influenza e do próprio coronavírus, que mesmo com a diminuição no número de óbitos tem tido aumento nos casos", relembrou.

"Além disso, tem a relação das aglomerações do fim de ano, que podem estar contribuindo com a contaminação de diversos casos. As pessoas têm se encontrado mais vezes sem máscara e as duas infecções se espalha pelo ar", conclui.

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