
A Polícia Federal (PF) promoveu uma reestruturação na delegacia da cidade de Campinas, no interior de São Paulo, criando uma estrutura semelhante às superintendências, que são as unidades de abrangência estadual. Além de mais servidores, com ampliação de 15% no quadro de agentes até o final de 2026, a metrópole agora conta com uma Força Integrada para Combate ao Crime Organizado(FICO) na unidade.
Outra melhoria na delegacia da PF será a expansão da fiscalização dos colecionadores de armas, atiradores esportivos e caçadores (CACs), que deixaram de ser responsabilidade do Exército em julho de 2025. Trabalhos envolvendo produtos químicos, segurança privada e controle migratório no Aeroporto de Viracopos também terão benefícios para atuar com a nova estrutura.
Por que em Campinas?
"Os números são bem consideráveis aqui na região. Ano passado mais de 80 mil passaportes foram expedidos. Nós temos 35 mil CACs aqui a serem fiscalizados. É uma estrutura adequada criada para que a Delegacia Executiva coordene essas fiscalizações e a Delegacia de Polícia Judiciária coordene as investigações", explicou André Almeida de Azevedo Ribeiro, delegado-chefe da PF em Campinas.
Segundo Ribeiro, a escolha de Campinas se justifica por sua posição estratégica e pela expertise já consolidada na região no combate aos roubos de carga. Nesse contexto, a FICO surge como um dos principais expoentes dessa reestruturação, pois não apenas aprofunda e amplia o trabalho que já vinha sendo desenvolvido pelo grupo especializado sediado no município, como também estende o alcance das ações ao integrar forças do Estado de São Paulo.
"A partir do momento da formalização de uma estrutura dessas, amplia-se a parceria com a Força de Segurança Estadual. Você passa a ter uma capilaridade maior e a possibilidade de contar com policiais militares e outras forças atuando em conjunto sob coordenação desse grupo", explica o delegado.
Segundo Ribeiro, ainda na fase de formatação da força integrada, já foi possível obter resultados concretos, como a identificação de uma fábrica de fuzis ligada a organizações criminosas no município de Americana. A partir dessa estrutura, sempre que surgirem linhas de investigação relacionadas ao crime organizado, seja em casos de roubo de carga, tráfico de drogas ou crimes de natureza violenta, a força integrada da PF passa a atuar com troca permanente de informações com as forças estaduais, visando à desarticulação dessas quadrilhas.
Mais agentes
Com a formação de novos agentes que já estão em curso, a expectativa da delegacia da metrópole é que o reforço no número de policiais federais ocorra ao longo do ano, com crescimento estimado de 15% no número de oficiais.
"A tendência é que a gente receba policiais que hoje estão atuando nas áreas de fronteiras, na região Norte do país, e novos policiais sejam recebidos também nessa unidade. Então a gente passa agora a preencher essa estrutura ao longo do ano e aumentando o nosso efetivo já dentro dessa nova organização", diz Ribeiro.
Outras estruturas
Além de Campinas (SP), apenas outras três delegacias da PF foram reestruturadas de forma semelhante por serem unidades de grande fluxo, como as unidades de Guarulhos (SP), Santos (SP) e Foz do Iguaçu (PR).