
A greve dos servidores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) começou oficialmente nesta segunda-feira (11) e já atinge diferentes setores da universidade. Segundo o Sindicato dos Trabalhadores da Unicamp (STU), ao menos 23 áreas registraram adesão ao movimento até a noite desta terça-feira (12). A reitoria, por outro lado, afirma que os serviços considerados essenciais seguem funcionando normalmente.
De acordo com o sindicato, a paralisação acontece de forma gradual, conforme mais funcionários decidem aderir ao movimento. Entre os locais afetados estão faculdades, institutos, setores administrativos, biblioteca, hospitais universitários e até colégios técnicos ligados à universidade.
Setores da universidade já registram adesão
Entre os espaços que tiveram participação de servidores na greve estão:
- Faculdade de Ciências Médicas
- Instituto de Filosofia e Ciências Humanas
- Faculdade de Engenharia de Alimentos
- Instituto de Biologia
- Instituto de Geociências
- Instituto de Física Gleb Wataghin
- Faculdade de Ciências Aplicadas, em Limeira
- Faculdade de Enfermagem
- Divisão de Educação Infantil
- Diretoria Geral de Administração
- Instituto de Computação
- Biblioteca Central
- Instituto de Química
- Centro de Engenharia Biomédica
- Hospital de Clínicas e Hospital da Mulher
- Colégio Técnico de Campinas (Cotuca)
- Faculdade de Educação
- Instituto de Artes
- Diretoria Acadêmica
- Sistema de Arquivos (Siarq)
- Instituto de Matemática, Estatística e Computação Científica
- Secretaria Executiva de Comunicação
- Centros e Núcleos (Cocen)
O STU informou ainda que estudantes têm demonstrado apoio ao movimento, embora as decisões sobre paralisação estudantil sejam feitas separadamente pelos diretórios acadêmicos.
A greve também reúne representantes da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade Estadual Paulista (Unesp), por meio do Fórum das Seis, grupo que representa entidades das três universidades estaduais paulistas.
Trabalhadores cobram reajuste e melhores condições
Entre as principais reivindicações apresentadas pelos sindicatos estão:
- Reajuste salarial de 15,97% para recompor perdas desde 2012
- Reposição da inflação de 2025/2026
- Valorização dos salários iniciais das carreiras técnicas e docentes
- Contratação de novos servidores por concurso público
- Redução da jornada para 30 horas semanais em algumas categorias
- Fim do ponto eletrônico
- Melhores condições de trabalho
- Ampliação de bolsas e moradia estudantil
- Combate ao assédio e à violência institucional
- Defesa da autonomia universitária
- Ampliação de benefícios, como vale-alimentação, vale-refeição e auxílio-saúde
- Pagamento de retroativos salariais
A expectativa é que a paralisação continue pelo menos até quinta-feira (14), quando representantes sindicais devem participar de uma reunião com o Conselho de Reitores das Universidades Estaduais Paulistas (Cruesp), em São Paulo.
Protesto gerou trânsito em Campinas
Na manhã desta terça-feira (12), servidores realizaram uma manifestação na rotatória da Avenida Guilherme Campos, acesso à Unicamp, em Campinas. O protesto causou congestionamento na Rodovia Dom Pedro I (SP-065), principalmente na altura do km 137.
Motoristas também encontraram lentidão no acesso à Avenida Adolfo Lutz, próximo ao Hospital de Clínicas e a uma das entradas da universidade.
O bloqueio foi encerrado por volta das 9h, mas o trânsito seguiu complicado durante parte da manhã. A situação foi normalizada perto do meio-dia, inclusive na região de Barão Geraldo.
Além das reivindicações ligadas à greve, os manifestantes também protestaram contra episódios de violência registrados durante um ato realizado na segunda-feira (11), em frente à Secretaria de Educação do Estado, na capital paulista.
Em nota, a Unicamp afirmou que segue em negociação com representantes do Fórum das Seis e reforçou o compromisso com o diálogo. A universidade destacou ainda que continuará buscando um acordo que preserve as atividades acadêmicas e atenda à comunidade universitária.