
A cidade de Campinas, em São Paulo, foi escolhida pelo Ministério da Saúde para receber o Método Wolbachia, uma tecnologia inovadora que utiliza mosquitos Aedes aegypti com uma bactéria capaz de bloquear a transmissão da dengue, da zika e da chikungunya.
O anúncio foi feito pela Prefeitura de Campinas nesta terça-feira (07). A previsão é que a soltura dos insetos comece em maio de 2027, enquanto os primeiros resultados devem ser percebidos ao longo de 2028.
A cidade havia solicitado a participação no programa ainda em 2024, durante uma das maiores epidemias de dengue da sua história. Na ocasião, porém, ficou de fora da primeira etapa por limitações na produção dos mosquitos e entrou em uma lista de espera.

Como funciona a bactéria Wolbachia?
A Wolbachia é uma bactéria encontrada naturalmente em cerca de 60% das espécies de insetos e não oferece riscos para pessoas nem para animais.
Quando ela é introduzida no mosquito Aedes aegypti, impede que os vírus da dengue, da zika e da chikungunya consigam se multiplicar dentro do inseto. Assim, mesmo que ele pique uma pessoa infectada e depois outra saudável, não consegue transmitir essas doenças.
A estratégia é conhecida como substituição populacional. Os mosquitos com Wolbachia são liberados na natureza e cruzam com os mosquitos já existentes. Como a bactéria é passada para os descendentes, a população local passa, gradualmente, a ser formada por mosquitos incapazes de transmitir os vírus.
Além disso, a bactéria também interfere na reprodução dos insetos em algumas situações:
- machos com Wolbachia que cruzam com fêmeas sem a bactéria geram ovos que não se desenvolvem;
- fêmeas com Wolbachia transmitem a bactéria para todos os filhotes, independentemente do macho;
- quando ambos possuem a bactéria, todos os descendentes também nascem com a Wolbachia.
Soltura dos mosquitos será feita ao longo de seis meses
Segundo a Secretaria de Saúde de Campinas, a liberação dos mosquitos começará em maio de 2027, período escolhido por apresentar menor circulação dos vírus na cidade.
A soltura ocorrerá durante 26 semanas consecutivas, permitindo que os insetos com Wolbachia se estabeleçam gradualmente no ambiente.
Após esse período, equipes técnicas acompanharão a presença da bactéria na população de mosquitos para avaliar a eficácia da estratégia.
Biofábrica receberá investimento de até R$ 22 milhões
Para colocar o projeto em prática, Campinas pretende implantar uma biofábrica destinada à produção dos mosquitos com Wolbachia.
O plano também prevê a contratação de 59 agentes de controle ambiental, dois biólogos, locação de 14 veículos e aquisição de equipamentos para apoiar a operação.
O investimento total está estimado entre R$ 20 milhões e R$ 22 milhões. O Ministério da Saúde repassará R$ 7 milhões, enquanto o restante será custeado pela Prefeitura de Campinas.
A empresa Wolbitos será responsável por fornecer assessoria técnica, treinamento das equipes, apoio nas campanhas de conscientização da população e os ovos contendo a bactéria que darão origem aos mosquitos.
Meta é proteger Campinas de forma permanente
O monitoramento dos resultados ficará sob responsabilidade da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).
De acordo com as diretrizes do Ministério da Saúde, o método será considerado bem-sucedido quando pelo menos 60% da população de Aedes aegypti da cidade estiver carregando a bactéria Wolbachia.
Mesmo com a nova tecnologia, as autoridades reforçam que ela não substitui as medidas tradicionais de combate à dengue. A eliminação de recipientes com água parada, a vacinação dos grupos contemplados e as ações de controle do mosquito continuarão sendo fundamentais para reduzir a circulação da doença em Campinas.