
Mais de 10,6 mil crianças foram registradas sem o nome do pai nas cidades de Campinas, Americana, Sumaré e Artur Nogueira, no interior de São Paulo, nos últimos dez anos. Os dados da Defensoria Pública do Estado de São Paulo (DPE-SP) mostram que, desde 2016, foram contabilizados 10.652 registros nessa situação. Somente em 2026, até 15 de julho, já foram 565 novos casos.
Para ajudar famílias que enfrentam esse problema, a Defensoria promove mais uma edição do mutirão nacional "Meu Pai Tem Nome", que oferece atendimento gratuito para reconhecimento de paternidade, regularização da certidão de nascimento e realização de exames de DNA.
As inscrições seguem abertas até 30 de julho, e o atendimento presencial será realizado no dia 01 de agosto.
Campinas concentra a maior parte dos casos
Entre os municípios da região, Campinas lidera com folga o número de registros sem o nome do pai. Desde 2016, a cidade contabiliza 7.571 casos, o equivalente a mais de 70% do total das quatro cidades analisadas.
Confira os números:
- Campinas: 7.571 registros (410 em 2026);
- Sumaré: 1.798 (81 neste ano);
- Americana: 974 (60 neste ano);
- Artur Nogueira: 309 (14 neste ano).
Segundo a coordenadora da Defensoria Pública de Piracicaba, Carolina Brambila Bega, reconhecer oficialmente a paternidade vai muito além de preencher um documento.
A inclusão do nome do pai na certidão garante direitos como pensão alimentícia, herança, benefícios previdenciários e regulamentação da convivência familiar, além de fortalecer a identidade da criança.
Famílias convivem com a ausência e as perguntas
Por trás dos números existem histórias marcadas por tentativas frustradas e pela busca por respostas.
A auxiliar de limpeza Andréia Pereira Barbosa, de Piracicaba, contou à EPTV, que tenta há anos incluir o nome do pai na certidão do filho mais velho. Segundo ela, o ex-companheiro negou a paternidade ainda durante a gravidez e chegou a faltar ao exame de DNA marcado pela Defensoria.
Hoje, o maior desafio é responder às perguntas do filho sobre a ausência do pai.
A busca pela própria identidade
Nem todos os participantes procuram o mutirão para registrar um filho. Alguns querem descobrir a própria história.
É o caso da ajudante de cozinha Maria Aparecida Pereira. Adotada ainda criança, ela descobriu que sua certidão de nascimento não trazia o nome dos pais biológicos e ainda continha um erro grave: o documento a registrava como sendo do sexo masculino.
Sem condições de pagar por um exame de DNA, Maria procurou a Defensoria no mutirão realizado no ano passado.
Enquanto aguarda a regularização dos documentos, ela também pretende mudar oficialmente de nome.
Segundo ela, conhecer a própria origem representa muito mais do que corrigir um registro: é entender sua história e sua identidade.
Como participar do mutirão
As inscrições para o "Meu Pai Tem Nome" podem ser feitas até 30 de julho, por meio da assistente virtual Júlia, disponível no site da Defensoria Pública de São Paulo.
O atendimento presencial acontecerá em 01 de agosto, em mais de 60 unidades espalhadas pelo estado, incluindo as cidades de Campinas, Americana, Artur Nogueira, Limeira, Piracicaba e Sumaré, no interior de São Paulo.
Durante o mutirão, serão oferecidos gratuitamente:
- Exame de DNA realizado no próprio local;
- Reconhecimento voluntário de paternidade biológica ou socioafetiva;
- Acordos sobre pensão alimentícia, guarda e direito de visitas;
- Orientação jurídica para abertura de ações judiciais quando necessário.
A iniciativa busca garantir que crianças, adolescentes e adultos tenham acesso ao direito de conhecer sua origem e de regularizar a documentação, assegurando direitos fundamentais previstos em lei.