Casos de racismo denunciados ao Disque 100 passaram de 16 para 25 em Campinas no primeiro semestre
Foto: Reprodução/Agência Brasil
Casos de racismo denunciados ao Disque 100 passaram de 16 para 25 em Campinas no primeiro semestre

O número de  denúncias de racismo registradas na cidade de Campinas, em São Paulo, cresceu 56% no primeiro semestre de 2026. Dados do Disque 100 mostram que o município passou de 16 ocorrências entre janeiro e junho de 2025 para 25 no mesmo período deste ano.  O aumento acompanha uma tendência observada em todo o estado de São Paulo, que também registrou alta nos casos comunicados ao serviço.

Em todo o estado, foram 646 denúncias de racismo nos seis primeiros meses de 2026, contra 482 no mesmo intervalo do ano passado, um crescimento de 34%. Na região, Piracicaba também apresentou aumento expressivo, passando de um para oito registros.

Casos recentes reforçam alerta

O crescimento das denúncias acontece em meio a episódios recentes de racismo registrados na região de Campinas.

Na última segunda-feira (20), dois integrantes da comissão técnica da equipe sub-20 do Guarani foram vítimas de ofensas racistas durante uma partida dos Jogos Regionais, em Itatiba. A equipe representava Campinas na competição quando um torcedor da equipe adversária fez os insultos. A partida ficou interrompida por mais de duas horas, um boletim de ocorrência foi registrado, mas o autor não foi identificado.

Mais vítimas estão procurando ajuda

Para o advogado Tagino Alves dos Santos, vice-presidente da Comissão da Verdade sobre a Escravidão Negra no Brasil da OAB, um dos principais motivos para o aumento das denúncias é a mudança na legislação.

Desde 2023, a Lei nº 14.532 equiparou a injúria racial ao crime de racismo, tornando a punição mais rigorosa. Segundo ele, isso aumentou a confiança das vítimas em denunciar.

Com essa lei, as pessoas passaram a acreditar que a denúncia pode realmente resultar na responsabilização do autor. Isso incentiva quem sofre racismo a procurar a Justiça. Tagino Alves dos Santos, vice-presidente da Comissão da Verdade sobre a Escravidão Negra no Brasil da OAB


Racismo e injúria racial: qual a diferença?

Embora hoje recebam tratamento semelhante em relação à gravidade da punição, os dois crimes possuem diferenças jurídicas.

A injúria racial ocorre quando a ofensa é direcionada a uma pessoa específica, utilizando elementos relacionados à raça, cor, etnia ou origem. Já o racismo acontece quando a discriminação atinge um grupo ou impede o exercício de direitos em razão da raça ou etnia.

Segundo o advogado, outra diferença está na forma como os processos são conduzidos. Na injúria racial, a vítima precisa manifestar interesse em dar continuidade ao caso. Já nos crimes de racismo, a ação penal é pública e pode prosseguir independentemente da vontade da vítima.

Combate depende de educação e políticas públicas

Além da responsabilização criminal, Tagino defende que o enfrentamento ao racismo exige investimentos em educação e políticas públicas voltadas à promoção da igualdade racial.

Não se pode considerar normal tratar uma pessoa negra como inferior em uma relação de trabalho ou em qualquer outro ambiente. Precisamos eliminar esse tipo de comportamento da sociedade. Tagino Alves dos Santos, vice-presidente da Comissão da Verdade sobre a Escravidão Negra no Brasil da OAB


Como denunciar

O Disque 100 é um canal do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania destinado ao recebimento de denúncias de violações de direitos humanos, incluindo casos de racismo.

O serviço funciona 24 horas por dia, todos os dias da semana, inclusive aos sábados, domingos e feriados. As ligações são gratuitas e podem ser feitas de qualquer telefone fixo ou celular, bastando discar 100. Além do atendimento telefônico, as denúncias também podem ser realizadas pelos canais digitais do governo federal.

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