
Uma força-tarefa com mais de 90 agentes interditou e autuou estabelecimentos durante uma super-operação no Jardim Itatinga, na cidade de Campinas, em São Paulo, na tarde de quinta-feira (20). Cerca de 20 comércios foram vistoriados e mais da metade recebeu algum tipo de punição administrativa.
A ação, batizada de Operação Submundo, reuniu as polícias Civil e Militar, a Guarda Civil Municipal (GCM), o Ministério Público, a Vigilância Sanitária de Campinas e a Associação Brasileira de Bebidas.
Durante as fiscalizações, os agentes encontraram caça-níqueis em três estabelecimentos, bebidas com sinais de falsificação e 17 máquinas de cartão que podem ter relação com atividades criminosas.

Prisão por tráfico de drogas
Além dos materiais apreendidos, os agentes localizaram medicamentos que eram comercializados sem autorização. Também foram identificados problemas relacionados à higiene e ao funcionamento de alguns estabelecimentos.
A Polícia Militar prendeu uma pessoa em flagrante por tráfico de drogas. Não houve prisões por extorsão ou por crimes contra a dignidade sexual durante a operação.
O número definitivo de estabelecimentos interditados e autuados ainda estava sendo contabilizado na manhã desta sexta-feira (21). O levantamento é feito pela Secretaria de Ordem Urbana e pela Vigilância Sanitária.
Combate a diferentes crimes
Segundo a Polícia Civil, a operação teve como foco o combate a uma série de irregularidades e crimes na região, entre eles extorsão, tráfico de drogas, jogos de azar, adulteração de bebidas e alimentos e crimes contra a dignidade sexual.
A presença de diferentes órgãos teve como objetivo unir a fiscalização administrativa às ações de segurança pública, permitindo que os estabelecimentos fossem avaliados por diferentes aspectos durante a mesma operação.
Itatinga tem história ligada à prostituição
O Jardim Itatinga tem uma característica que o diferencia de outras regiões de Campinas: o bairro foi planejado durante a ditadura militar para concentrar a prostituição e afastar as profissionais do sexo das áreas mais centrais da cidade.
Localizado às margens da Rodovia Santos Dumont (SP-075), o bairro se tornou um dos principais polos de prostituição da América Latina. Casas noturnas, comércios e residências convivem na mesma região.
Apesar da origem ligada à prostituição, o Itatinga também passou a ser alvo de operações voltadas ao combate de outros crimes, como tráfico de drogas e extorsão.
Dados apresentados pela Associação Mulheres Guerreiras apontavam que, em janeiro de 2024, o bairro tinha 117 estabelecimentos e cerca de 1,7 mil trabalhadores do sexo em atividade.
A região, portanto, reúne uma realidade complexa, em que a atividade sexual convive com comércio, moradia e problemas de segurança pública, cenário que ajuda a explicar a frequência de operações de fiscalização no local.