
A Unicamp aproveita o Campinas Innovation Week 2026 para apresentar iniciativas que aproximam ciência, tecnologia e mercado, mas também para expor uma proposta de longo prazo para Campinas: transformar uma área de 1,4 milhão de metros quadrados em um polo voltado à inovação e à sustentabilidade. O projeto faz parte do Hub Internacional para o Desenvolvimento Sustentável (HIDS Unicamp), que busca integrar pesquisa, empresas, instituições públicas e sociedade civil em torno de soluções para desafios ambientais e urbanos.
A proposta foi detalhada durante o evento por Roberto Donato da Silva Junior, diretor executivo de Sustentabilidade da Unicamp e coordenador-geral do HIDS. Segundo ele, a intenção é que a região se constitua como um distrito de inovação e sustentabilidade, reunindo atividades acadêmicas e projetos orientados pelos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.
"Nossa proposta é que essa região se constitua num distrito de inovação e sustentabilidade, onde as pessoas morem, estudem, trabalhem, com inovação orientada para os objetivos do desenvolvimento sustentável", afirmou.
O HIDS integra a participação da Unicamp no Campinas Innovation Week, que ocorre até sexta-feira (18), no Pátio Ferroviário de Campinas. No estande da universidade, o público também encontra pesquisas, tecnologias disponíveis para licenciamento, startups e projetos desenvolvidos por diferentes estruturas da instituição.

De polo tecnológico a ecossistema de sustentabilidade
De acordo com Donato, o projeto parte de dois desafios principais. O primeiro envolve a construção de uma urbanização sustentável para a região. O segundo é ampliar a integração entre os equipamentos científicos, institutos, universidades e demais atores ligados à inovação.
"Precisamos intensificar o ecossistema de inovação, ou seja, aproximar ainda mais os equipamentos científicos, os institutos e as universidades para que elas aumentem a sua produção e, ao mesmo tempo, possam produzir para a sustentabilidade", explicou.
Nesse processo, a proposta é mudar a lógica tradicional dos polos tecnológicos. "Então nós precisamos converter esse ecossistema tecnológico para um ecossistema de sustentabilidade", disse o coordenador.
Para isso, o HIDS trabalha com seis eixos: energia para a sustentabilidade, mobilidade, tecnologias da informação e comunicação, saúde e biotecnologia, transição justa e tecnologias quânticas.
A chamada transição justa envolve, entre outros pontos, a aproximação da universidade com políticas climáticas e políticas públicas destinadas ao enfrentamento das mudanças climáticas. A organização por eixos também deverá orientar a ocupação e o desenvolvimento dos projetos dentro da área da Unicamp.
Área terá seis pavilhões de inovação
A área destinada ao HIDS foi adquirida pela Unicamp em 2014 e possui cerca de 1,4 milhão de metros quadrados. Por pertencer à universidade, o espaço terá uso voltado ao ensino, à pesquisa e à extensão, segundo a proposta apresentada pela instituição.
A implantação deverá ocorrer a partir da criação de seis Pavilhões de Inovação. Cada estrutura terá 7 mil metros quadrados e será destinada à aproximação entre a comunidade acadêmica, empresas, instituições públicas e organizações da sociedade civil.
A ideia é criar ambientes nos quais pesquisas possam avançar para aplicações práticas. "Nós vamos induzir a participação, o encontro da comunidade acadêmica com empresas, instituições da sociedade civil e instituições públicas para a produção de inovação nessas tecnologias sustentáveis", afirmou Donato.
Entre os projetos previstos está uma usina agrovoltaica. A estrutura deverá combinar a geração de energia fotovoltaica com a produção agrícola sob os painéis solares.
A área planejada para a iniciativa é de 100 mil metros quadrados, com geração estimada em aproximadamente 1 megawatt de potência. O projeto está inserido no eixo de energia e deverá funcionar também como espaço de pesquisa e desenvolvimento.
Campinas busca uma nova referência em inovação
A proposta apresentada pela Unicamp amplia a discussão sobre o papel de Campinas no cenário de ciência, tecnologia e inovação. Para Donato, a referência não deve ficar restrita à criação de novas tecnologias, mas avançar para a aplicação desse conhecimento na construção de soluções sustentáveis.
"Quando a gente olha para os principais centros de tecnologia e inovação do mundo, como Vale do Silício e Barcelona, você tem uma proposta de que esses distritos sejam voltados para a tecnologia. Nós queremos o passo da tecnologia para a sustentabilidade", afirmou.
O objetivo, segundo ele, é posicionar Campinas internacionalmente a partir dessa combinação. "A gente quer que Campinas seja reconhecida globalmente como a cidade da inovação voltada para a sustentabilidade", disse.

Além do HIDS, a presença da Unicamp no Campinas Innovation Week reúne seis tecnologias disponíveis para licenciamento, pesquisas em áreas como inteligência artificial, conectividade 5G e 6G, energias renováveis, biogás, bioprodutos e novas terapias contra o câncer. O espaço também recebe oito empresas-filhas e startups ligadas ao ecossistema de inovação da universidade.
A programação da universidade ainda inclui pesquisadores, inventores e representantes de empresas em palestras e painéis do evento. O Campinas Innovation Week 2026 segue até 18 de setembro, com entrada gratuita no Pátio Ferroviário de Campinas.