
Uma combinação de inteligência artificial, novas tecnologias e mudanças no mercado deve alterar a forma de empreender nos próximos anos. O alerta foi feito pelo empresário Gustavo Caetano durante palestra que encerrou, nesta sexta-feira (18), a participação do Sebrae-SP na 3ª Campinas Innovation Week (CIW).
CEO da Samba Tech e fundador da Associação Brasileira de Startups (ABStartups), Caetano compartilhou experiências da própria trajetória e discutiu os impactos das transformações tecnológicas sobre empresas, empregos e negócios.
Ao longo da palestra, o empresário defendeu que acompanhar o avanço tecnológico exige mais do que estudar tendências. Para ele, é necessário experimentar e levar o conhecimento para situações reais.
"Na minha cabeça, está claro que está chegando uma ‘tempestade perfeita’ que vai mudar tudo o que a gente conhece. Vai mudar o jeito de empreender e a lógica de empregos e empresas", afirmou.
A apresentação marcou o encerramento da programação do Sebrae-SP no CIW 2026. Durante a semana, a instituição promoveu atividades relacionadas à inovação, tecnologia e desenvolvimento dos pequenos negócios.
De universidades ao Vale do Silício

Caetano contou que buscou referências em diferentes polos de inovação para ampliar a própria visão sobre tecnologia. A trajetória incluiu instituições e centros de pesquisa nos Estados Unidos, além de experiências na Ásia e na Europa.
"Eu precisava aprender o tempo inteiro. Fui para o MIT, para Stanford e para polos de tecnologia, mas também fui para a China, para conhecer a visão asiática da inovação. Eu não queria ter só a visão do Vale do Silício."
A busca por diferentes perspectivas também o levou à França e à universidade corporativa da Disney, em Orlando. Segundo o empresário, a intenção era entender como organizações com características distintas conseguem acompanhar mudanças ao longo do tempo.
Ele também relatou uma experiência na NASA. A visita, de acordo com Caetano, ajudou a ampliar sua percepção sobre tendências que podem influenciar os próximos anos.
No entanto, estudar não seria suficiente. "Só estudar não adiantava. Não bastava ler e estudar tudo sobre o futuro. Eu precisava aplicar esse conhecimento", disse.
A partir dessa visão, o empresário passou a atuar como conselheiro de grandes empresas. O objetivo era levar para negócios de diferentes setores conhecimentos adquiridos sobre inovação e tecnologia.
"Eu precisava aplicar o que estava aprendendo em negócios da vida real", afirmou.

Investimentos apontam para novas tecnologias
Outra frente de atuação veio com investimentos em empresas ligadas ao desenvolvimento de tecnologias consideradas de fronteira.
Depois de vender sua empresa, Caetano contou que criou, com dois sócios, um fundo de R$ 100 milhões voltado a negócios relacionados ao futuro.
Entre os investimentos citados durante a palestra estão uma empresa suíça que trabalha com impressão 3D de órgãos humanos e outra que desenvolveu um data center no espaço.
Para o empresário, acompanhar iniciativas desse tipo ajuda a compreender transformações que podem afetar a maneira de trabalhar e empreender.
Nesse cenário, a inteligência artificial aparece como parte de uma mudança mais ampla. Caetano também chamou atenção para a dificuldade de imaginar cenários muito diferentes daqueles já conhecidos.
Segundo ele, as pessoas tendem a projetar o futuro usando como referência o presente. Por isso, previsões podem limitar as possibilidades de transformação.
"A primeira aula que tive na NASA mostrou que o nosso cérebro nos engana quando olhamos para o futuro. Quando peço para qualquer pessoa projetar os próximos dez anos da sua área, a tendência é imaginar um mundo muito parecido com o que vivemos hoje", afirmou.
Como exemplo, o empresário citou as expectativas criadas décadas atrás para a chegada do ano 2000.
"O homem foi à Lua em 1969. Quando as pessoas projetavam como seria o ano 2000, imaginavam que passaríamos férias na Lua. Era uma projeção natural. Mas o futuro não é linear."
Pequenos negócios diante da transformação
A discussão sobre tecnologia também foi direcionada aos empreendedores. Para Caetano, novas ferramentas podem inicialmente parecer distantes ou improváveis. Com o avanço tecnológico, entretanto, elas podem passar a fazer parte da rotina.
"Novas tecnologias começam desacreditadas. A gente imagina robôs fazendo um monte de coisas, mas não acredita que isso realmente vai acontecer, porque ainda não vivemos essa realidade."
A participação do empresário fez parte da proposta do Sebrae-SP de aproximar pequenos negócios de especialistas e experiências relacionadas às transformações do mercado.
Para Williana de Souza Costa, líder de operação regional (LOR) do Sebrae-SP em Campinas, a presença de Caetano permitiu levar aos empreendedores uma visão sobre tecnologia, inovação e futuro.

"Trazer um nome como o Gustavo Caetano para o Campinas Innovation Week é uma oportunidade de colocar os pequenos empresários em contato com uma visão ampla sobre tecnologia, inovação e futuro. Nosso papel é justamente levar esse conhecimento para perto de quem empreende, mostrando que as novas tecnologias podem ser utilizadas de forma prática e estratégica no dia a dia dos negócios."
A palestra encerrou a participação do Sebrae-SP na terceira edição do Campinas Innovation Week. Ao longo da semana, a instituição manteve uma programação voltada à inovação, tecnologia e desenvolvimento dos pequenos negócios.
"O CIW é um espaço importante para conectar os pequenos negócios às transformações que já estão acontecendo e às que ainda estão por vir. Estar aqui é uma forma de cumprir o nosso papel de levar informação, conhecimento e novas possibilidades para quem empreende e precisa estar preparado", afirmou Williana.