O live seller tem uma função diferente da de um influenciador tradicional
Foto: PH Lopes
O live seller tem uma função diferente da de um influenciador tradicional

Campinas ganhou uma escola voltada à formação de profissionais para um mercado que mistura conteúdo, entretenimento e comércio. A Access Live Academy foi criada para preparar os chamados live sellers, profissionais que apresentam produtos em transmissões ao vivo e atuam diretamente na interação com consumidores e na conversão de vendas.

O movimento acompanha o crescimento do social commerce, modelo em que as redes sociais passam a concentrar também etapas da jornada de compra. Segundo dado apresentado pela Access, mais de 57% dos usuários compram no TikTok Shop depois de descobrir produtos dentro da própria plataforma.

Nesse ambiente, o live seller tem uma função diferente da de um influenciador tradicional. Além de se comunicar diante das câmeras, ele precisa conhecer o produto, apresentar ofertas, responder dúvidas, interagir com a audiência e acompanhar os resultados da transmissão.

Formação combina câmera e técnicas de venda

A Access Live Academy foi estruturada para reunir aulas teóricas e atividades práticas. O conteúdo inclui oratória, dicção, postura diante das câmeras, improviso e storytelling, além de técnicas de venda, negociação, retenção e engajamento.

Os alunos também aprendem a trabalhar com chamadas para ação, conhecidas como CTA, e com plataformas de comércio eletrônico como TikTok Shop, Shopee e Mercado Livre. A formação inclui ainda o acompanhamento de métricas para avaliar o desempenho das transmissões.

Segundo Ana Cláudia Mendes, CEO da Access, a atividade exige mais do que desenvoltura diante das câmeras.

“Não basta colocar alguém carismático diante de uma câmera. O live seller precisa ser treinado para entender produto, público, narrativa, oferta e performance. A espontaneidade continua sendo importante, mas ela passa a conviver com técnica e preparação”, afirma.

Ana Cláudia Mendes, CEO da Access
Foto: PH Lopes
Ana Cláudia Mendes, CEO da Access


Uma das etapas da formação é o Live Lab, laboratório em que os alunos simulam uma transmissão comercial. Eles recebem produto, briefing, oferta, meta, tempo e câmera para executar a atividade.

A proposta é que o estudante passe por diferentes etapas do processo, incluindo treinamento, execução, ajustes e nova apresentação. A certificação considera critérios como comunicação, presença diante das câmeras, domínio do produto, persuasão, improvisação, retenção e execução.

Curso aproxima alunos do mercado

A formação também prevê uma etapa de conexão com oportunidades profissionais. Os alunos aprovados podem integrar o Live Seller Cast da Access e ser considerados para operações realizadas pela agência.

Entre as possibilidades estão transmissões em estúdios, lives nos perfis de marcas parceiras, eventos, campanhas, lançamentos e operações em marketplaces.

A empresa afirma que a proposta não depende necessariamente de profissionais com grandes audiências nas redes sociais. O foco está na preparação para conduzir transmissões comerciais e transformar a interação com o público em vendas.

Esse modelo cria uma função diferente da desempenhada por influenciadores que têm a própria audiência como principal ativo. O live seller pode atuar em uma operação comercial mesmo sem possuir milhões de seguidores.

“O live seller nasce quando vender deixa de ser uma etapa posterior ao conteúdo e passa a fazer parte da própria experiência de conteúdo. É um profissional que precisa entender que entretenimento, relacionamento e conversão acontecem simultaneamente”, afirma Ana Cláudia.


Modelo ganhou força na China

A ideia da formação surgiu a partir da experiência de Ana Cláudia Mendes durante uma viagem à China. Na época, ela já trabalhava como criadora de conteúdo e acompanhou operações de live commerce no país.

Segundo a executiva, a experiência mostrou um mercado com grandes estruturas de transmissão, equipes dedicadas às vendas ao vivo e marcas utilizando o entretenimento como parte da estratégia comercial.

A partir dessa experiência, a Access passou a apostar na formação de profissionais para esse mercado no Brasil.

“Quando comecei, não sabia que era possível construir uma carreira nesse mercado. Hoje queremos formar profissionais, gerar oportunidades e mostrar que esse mercado pode transformar vidas. É por isso que apostamos em quem está começando”, afirma.

Fundada em Campinas, a Access atua na formação, gestão e monetização de criadores de conteúdo. Segundo a empresa, são mais de 3.500 criadores agenciados, mais de 100 marcas atendidas e uma equipe com mais de 50 colaboradores.

A agência afirma ainda manter parcerias com plataformas como TikTok e Shopee e atuar nacionalmente nos segmentos de creator economy e live commerce.

    Compartilhar
    Comentários
    Clique aqui e deixe seu comentário!

    Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.

    Mais Recentes