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Campinas completa 246 anos nesta terça-feira (13).
Carlos Bassan / Pref. de Campinas
Campinas completa 246 anos nesta terça-feira (13).


O avanço para uma economia diversificada, que atrai novos tipos de migrantes e imigrantes, foi um dos fatores que finalmente incluíram Campinas , que completa 246 anos nesta terça-feira (14) no seleto grupo de municípios considerados metrópoles pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). A avaliação é da pesquisadora Rosana Baeninger, do Nepo (Núcleo de Pesquisas em População) da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas).

A especialista diz que já em seu mestrado, em meados dos anos 1980, defendia que o município atendia a configuração de metrópole . Neste início de século 21, porém, ele alcançou uma economia dinâmica e com muitas opções, similar a da Grande São Paulo, reunindo grande circulação de pessoas, mercadorias e dinheiro.

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"Isso traz uma urbanização com padrões metropolitanos e presença de grandes redes (empresariais e comerciais)", considera.

"Não temos mais uma migração tão forte como dos anos 70, com muitos paranaenses, mineiros. Temos já a partir dos anos 90 a vinda de mais nordestinos, e na mesma característica atual de São Paulo. Chegam, mas vão embora mais rápido, pois há demandas temporárias para obras ou serviços. É também uma rede migratória espraiada pelos municípios do entorno, cada um com uma oferta", afirma Rosana.

Atrativos

Segundo a pesquisadora, no final dos anos 80 Campinas se beneficiou da "desconcentração" das indústrias da capital paulista, atraindo investimentos e tornando-se um polo de alta tecnologia . Agora, também agrega indústria, serviços e agronegócio fortes.

Para Rosana, tanto a produção tecnológica quanto o agro atraem inclusive as empresas multinacionais, com efeitos urbanos.

"Essas empresas trazem imigrantes qualificados para o trabalho, entre eles americanos, europeus, asiáticos e vizinhos como chilenos e argentinos. Isso tem efeito multiplicador, pois gera serviços diferenciados, outro padrão de consumo, escolas bilíngues", pontua. Ela diferencia essa imigração da de refugiados, que também é forte e gera serviços. 

IBGE

Segundo a pesquisa de regiões do IBGE, divulgada neste dia 25/06, Campinas é uma das 15 metrópoles do Brasil e a única delas que não é capital. A cidade atingiu esse nível por ter alto número de empresas e instituições públicas, atraindo muitas pessoas de outras cidades. Em resumo, influencia outros municípios nos quesitos estudo, compras de vestuário, comércio de eletroeletrônicos, aeroporto e serviços de lazer .

Antes, Campinas era considerada uma capital regional. Pelo governo do Estado, a cidade já era classificada como sede de região metropolitana desde 2000.

"O conceito de metrópole do estudo é diferente do de regiões metropolitanas, que são recortes legais definidos pelos estados para fins de planejamento", diz Bruno Hidalgo, gerente de Redes e Fluxos Geográficos do IBGE.

A classificação é importante para fins de estudos, mas não necessariamente para o município se candidatar a mais verbas públicas. Para investigar essas relações entre cidades, foi aplicado um questionário na maior parte dos municípios brasileiros: 5503 no total.

Ainda pelo órgão federal, das 15 metrópoles do país, três têm uma classificação ainda mais abrangente, sendo São Paulo considerada Grande Metrópole Nacional e Rio de Janeiro e Brasília, Metrópoles Nacionai s. 

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