Pessoas que contraíram Covid-19 podem ter sequelas após alta.
Alle Barbi
Pessoas que contraíram Covid-19 podem ter sequelas após alta.


Ainda sem respostas exatas sobre o comportamento a longo prazo do novo coronavírus dentro do organismo humano, cientistas e profissionais da saúde já identificaram que a Covid-19 , doença causada pelo vírus, pode deixar sequelas. Em Campinas, esse tipo de consequência começou a ficar mais evidente nas últimas semanas.

Docente do Departamento de Saúde Coletiva da Faculdade de Medicina da Unicamp, Rubens Bedrikow notou uma nova demanda por atendimento a pacientes com sequelas pulmonares, cardíacas ou renais decorrentes da Covid-19.

“São pessoas que necessitam de atendimento contínuo na rede pública de saúde, e que dão entrada no Sistema Único de Saúde (SUS) pelas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) ou Unidades Básicas de Saúdes (UBSs). Neste cenário, as equipes que atuam nesses locais, especialmente os profissionais da área de Medicina de Família e Comunidade, desempenham papel relevante no acompanhamento longitudinal desses indivíduos”, afirmou Bedrikow.

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Segundo o docente, esses pacientes apresentam sintomas como cansaço intenso, diminuição da função respiratória e dificuldade para realizar as atividades da vida cotidiana. “Nesses casos, é crucial o acompanhamento e controle rigoroso de doenças crônicas como hipertensão arterial, diabetes, insuficiência cardíaca, asma, bronquite, enfisema, entre outras”, comentou o especialista.

Consequências

Dados preliminares coletados pela neurologista Clarissa Lin Yasuda, neurologista do Departamento de Neurologia e Neurocirurgia da Universidade Estadual de Campinas,  através de questionário on-line apontam que cerca de 67% dos pacientes recuperados da Covid-19 sem internação apresentam algum sintoma neurológico persistente: fadiga crônica (30%), problemas de memória (25%), perda de olfato (20%), dores de cabeça (15%) e perda de paladar (10%). Apenas 33% se consideram sem sintomas.

“É muito grave dizer que apenas 33% se consideram saudáveis e sem sintomas, sendo que nenhum desses pacientes foi internado. Imagine a situação dos pacientes graves como será”, enfatiza Clarissa.

O Sistema de Vigilância Epidemiológica do Ministério da Saúde aponta que 50% dos pacientes mais graves sobrevivem. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a chance de sequelas aumenta em pacientes graves que tiveram permanência prolongada em UTI (Unidade de Terapia Intensiva) e necessidade de usar aparelhos respiradores. A recuperação pode levar de três a seis semanas ou mais.

Muitas podem ser as complicações pós-intubação decorrentes da intubação (respiração artificial) prolongada seguida de traqueostomia (procedimento que facilita a chegada de ar aos pulmões quando há obstruções), sendo os mais comuns danos laríngeos como lesões nas cordas vocais e estreitamento da laringe, e traumas nas vias aéreas. Podem causar prejuízos à vocalização, à respiração e à deglutição.

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