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Números da Covid-19 apresentam tendência de redução Campinas.
Gilson Machado / Prefeitura de Campinas
Números da Covid-19 apresentam tendência de redução Campinas.


Após Campinas atingir o pico de casos da C ovid-19 no último mês e passar pelo "platô", com estabilização dos números nas últimas semanas, a curva de contaminação na cidade já começou a apresentar tendência de queda, segundo a diretora do Devisa (Departamento de Vigilância em Saúde), Andrea Von Zuben.

Segundo Andrea, em Campinas a descida de casos já começou, com diminuição gradual em relação a contaminação entre a população. 

"A gente já começou a descida. Tanto em número de casos confirmados, como em internações e até mesmo óbitos se levarmos em conta a semana de ocorrência, já notamos essa diminuição. É gradativa, mas já vemos os resultados há duas semanas", afirmou.

Para a diretora do Devisa, o pior da pandemia em Campinas já passou, e apesar da cidade estar perto de mil mortos pela doença (até hoje o número divulgado pela Prefeitura aponta 973 vítimas fatais), o pico da doença ficou para trás, sendo observado no último mês, quando foram contabilizadas 394 mortes.

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Na pior semana desde o início da pandemia, de 19 a 25 de julho foram registradas 96 novas mortes. Já na última semana, de 16 a 22 de agosto, o número ficou em 76. Ontem (24), Campinas não teve registro de novas mortes pela segunda vez em dez dias

QUASE PELA METADE

Um estudo do Observatório da PUC-Campinas, que analisa os dados da doença na região, confirma a análise do Devisa. Segundo os especialistas, depois dos piores números, a cidade tem três semanas sem grandes oscilações.

Na última semana, segundo a análise do Observatório, Campinas registrou diminuição de 41,43% em relação a novos casos, passando de 2.932 casos registrados na semana de 8 a 15 de agosto, para 1.717 registrados do dia 16 a 22.

"Tudo indica que julho foi o pior mês, e a partir deste pico em agosto, está consolidado que temos uma redução em novas mortes", declarou um dos pesquisadores responsáveis pelo estudo, o economista Paulo Oliveira.

O infectologista Luís Fernando Waib, diz que os números registrados hoje se assemelham aos de três meses atrás, o que mostra um cenário positivo. 

"Dá para dizer que o pior já passou e estamos indo para uma situação muito favorável, o que estamos vendo nos hospitais agora é mesmo ritmo das internações de maio, muito favorável e diferente do último mês", afirmou. 

PREVISÕES E MONITORAMENTO

Segundo Andrea, a previsão do Devisa foi acertada em relação ao cenário para a doença nesse momento. Em entrevista ao ACidade ON no mês de junho, a diretora tinha declarado que acreditava que a melhora da situação viria para setembro , o que é observado na tendência dos últimos dias.

"É o mesmo cenário que planejamos, e todas as previsões foram as que ocorreram. Ainda é um número alto, mas vemos a queda e se continuar assim, mês que vem já veremos um cenário ainda melhor", afirmou.

Apesar de maior flexibilização da quarentena na cidade, agora que Campinas está desde o último dia 8 na fase amarela do Plano São Paulo, com o funcionamento liberado de comércio, bares e restaurantes, a diretora diz que ainda não há um temor sobre o aumento de casos, e considera a retomada como essencial, desde que monitorada.

"A gente não conhece exatamente o comportamento, mas temos visto que até o momento entrar na fase amarela não mudou a dinâmica, continua na mesma queda sutil. Eu entendo que a vida vai ter que voltar ao normal aos poucos, porque a doença veio para ficar. Ela não vai embora rápido. Então tudo bem entrar na fase amarela se tivermos todos os cuidados. Isso é suficiente para conseguir trabalhar para não ter grande diferença na curva", afirmou. 

Segundo a diretora, diariamente dez indicativos, entre eles número de casos, mortes e ocupação de leitos, são observados para analisar possíveis crescimentos e evitar uma segunda onda da doença. 

CUIDADO COMO MEDIDA ESSENCIAL

Apesar dos resultados otimistas, o infectologista da PUC aponta para o alerta sobre a taxa de contaminados de Campinas, que ainda é abaixo de 4%, e que pode representar ainda um grande potencial da doença na cidade.

"Quando a gente tem uma situação de menos de 4% temos o potencial de contaminação ainda muito alto, e qualquer descuido podemos ver a diminuição voltar a crescer", declarou.

A diretora do Devisa ressalta que apesar a da diminuição em casos a taxa de transmissão ainda permanece em 1, o que ainda necessita atenção, e a única medida para evitar um novo aumento é a proteção das pessoas. 

"Estamos vivendo hoje um equilíbrio, diminuição da gravidade, mas ela não foi embora e não vai a curto prazo, não tem varinha mágica, bala de prata. Então é preciso o cuidado para ela não aumentar novamente, por isso precisamos que as pessoas entendam que continuamos em pandemia, e precisamos de colaboração", afirmou Andrea.

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