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Organização criminosa atuava dentro de Viracopos.
Divulgação/Polícia Federal
Organização criminosa atuava dentro de Viracopos.


A megaoperação deflagrada na manhã de hoje (6) contra uma organização criminosa que teria como principal base de atividades o Aeroporto Internacional de Viracopos , em Campinas , já prendeu 24 pessoas na região, sendo que outros dois suspeitos foram mortos durante confronto com a polícia.  

Segundo a Polícia Federal , entre os presos estão um policial militar e um policial civil . Além dos servidores, foram detidos funcionários do aeroporto que teriam ligação com a quadrilha e viabilizavam o tráfico de cocaína em Viracopos, com destino ao continente europeu.  


Na região foram cumpridos ao todo 26 mandados. Além de Campinas, os mandados foram cumpridos também em Americana e Monte Mor, sendo que em Monte Mor a polícia apreendeu R$ 180 mil em espécie.  Ao todo, R$ 7 milhões em bens foram bloqueados hoje.

Entre os suspeitos mortos, um foi localizado no bairro Campo Belo e outro no bairro Cidade Singer. Segundo a PF, um dos acusados tinha passagem por roubo e homicídio, já o outro não tinha ficha criminal. As circunstâncias das mortes serão investigadas.

Além das buscas na região foram cumpridos mandados nos Estados em Mato Grosso, Amazonas e Rio Grande do Norte, que totalizaram 35 prisões.

A OPERAÇÃO

A operação foi nomeada "Overload", termo em inglês empregado para excesso de carga ou carga excessiva, com alusão à droga ilícita inserida clandestinamente nos aviões em meio a carga regular.  

De acordo com a PF, a investigação começou em fevereiro do ano passado, após uma apreensão na ARS (Área Restrita de Segurança) de Viracopos, onde foram localizados 58 kg de cocaína que teriam como destino a Europa.  

Durante toda a operação, já foram apreendidos 250 kg de cocaína pertencentes ao grupo. Ao todo, mais de 200 policiais federais, 80 policiais militares e seis policiais civis participam do cumprimento dos mandados de busca e apreensão e dos mandados de prisão temporária.  

Segundo a investigação, a quadrilha estaria voltada ao tráfico internacional de drogas e lavagem de dinheiro, e atuava em diversos estados do Brasil. A organização também exportava grandes quantidades de cocaína para a Europa.

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A organização seria composta por brasileiros, que seriam responsáveis pelo aliciamento de funcionários aeroportuários, interferência ilícita nas operações de logística do aeroporto e lavagem de dinheiro.

Entre os aliciados estão funcionários e ex-funcionários de empresas prestadoras de serviço na área restrita de segurança do aeroporto.   

FUNCIONÁRIOS ENVOLVIDOS

Segundo a Polícia Federal, dezenas de pessoas em funções diversas estão envolvidas no esquema. Entre eles vigilantes foram identificados, operadores de tratores, motoristas de viaturas, operadores de equipamentos e funcionários de empresas fornecedoras de refeições a tripulantes e passageiros, que eram os responsáveis pelo esquema de embarque das drogas nas aeronaves com destino ao exterior.  

Na investigação, a Polícia identificou que a droga era transportada até os aviões em palets pelo terminal de cargas, e em mochilas pelo terminal de passageiros. Vários funcionários que prestavam serviços para o aeroporto eram aliciados e trabalhavam para os traficantes.  

Segundo a concessionária Brasil Viracopos, que administra o aeroporto, a empresa contribuiu para as investigações, e todos os funcionários presos eram terceirizados.

COMO FUNCIONAVA

Segundo a Policia Federal, para a exportação da droga eram utilizados tanto o terminal de passageiros quanto o terminal de cargas, o que era mantido por meio de uma estrutura formada por três grupos de atuações distintas.  

Entre eles, um deles era de "operadores externos", que seriam aqueles não pertencentes ao quadro de funcionários de Viracopos, e que seriam os responsáveis pelas tratativas com investidores e traficantes estrangeiros, além de serem os responsáveis pelo aliciamento dos funcionários do aeroporto.  

O segundo grupo era formado por operadores internos: empregados aeroportuários aliciados que exerciam as atividades na área restrita de segurança, especialmente em funções que envolvam carga e descarga de aeronaves e suas movimentações.  

Já o último grupo envolvido seria de operadores estrangeiros, traficantes em solo europeu, que seriam responsáveis pela retirada de cocaína remetida a partir de Viracopos. 

OCULTAÇÃO  

De acordo com a investigação, a sofisticação da organização criminosa também se revelou na ocultação e dissimulação em relação a propriedades e provenientes do tráfico internacional de drogas.  

Segundo a PF, com a aquisição de imóveis, veículos, contas bancárias em nome de terceiros, e empresas no exterior, o grupo dificultava o rastreamento desses recursos. A partir de hoje (6) todos os bens pertencentes a organização estão sendo bloqueados. 

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