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Oftalmologista Roberto Damian Pacheco Pinto foi o primeiro a receber dose da 2º fase.
Adriano Rosa/Prefeitura de Campinas
Oftalmologista Roberto Damian Pacheco Pinto foi o primeiro a receber dose da 2º fase.

O Hemocentro da Unicamp, em Campinas, assim como o Ministério da Saúde, têm incentivado a população a doar sangue antes de se vacinar contra a Covid-19 , em função do impedimento temporário para doação após o recebimento de certos tipos de vacinas.

Segundo explicou a infectologista da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) e Consultora da Sociedade Brasileira de Infectologia, Raquel Stucchi, um dos motivos da recomendação é para evitar o descarte do sangue coletado, caso o doador imunizado apresente algum efeito colateral da vacina após a doação.

"A recomendação dada ao doador de sangue é que se ele tiver febre ou mal estar após a doação de sangue, é para avisar o banco porque esse sangue é descartado. Em relação a vacina covid-19, é recomendado aguardar por alguns dias, para não confundir a avaliação do doador", disse. 

De acordo com a infectologista, a inaptidão temporária a doação de sangue e componentes associada ao uso de vacinas são:  

- Vacina adsorvida covid-19 (inativada) - Sinovac/Butantan: 48 horas após cada dose.  

- Vacina covid-19 (recombinante) - AstraZeneca/Fiocruz: 7 dias após cada dose.  

Esse prazo ocorre porque essa vacina, que utiliza outros vetores virais e tecnologias com uso de RNA, são novidades tecnológicas e ainda não possuem previsão na portaria que regulamenta a doação de sangue.  

Corroborando a justificativa dada por Raquel, o Ministério da Saúde salienta que o período de inaptidão também é necessário porque o micro-organismo da imunização, ainda que na forma atenuada, circula por um tempo determinado no sangue do doador.  

"Em caso de pacientes imunossuprimidos, há risco de o receptor desenvolver a doença para a qual o doador foi vacinado", explicou o coordenador de Sangue e Hemoderivados do Ministério da Saúde, Roberto Firmino. "O modo de fabricação das vacinas pode levar riscos a um paciente que receba o sangue, tendo em vista que seu sistema imunológico já se encontra debilitado pela própria condição de saúde", continuou.  

HEMOCENTRO

Ciente da liberação da vacina, o Hemocentro da Unicamp lançou uma campanha nas redes sociais, solicitando que as pessoas doassem sangue antes da vacinação, e orientando que quem for vacinado respeite o período de inaptidão. 

"O impacto não é tão longo como de outras vacinas, que pode até ficar um mês sem poder doar pós-vacina, mas a gente recomenda de fato que as pessoas venham fazer a doação antes da vacinação, e se não for possível faça a doação depois. Não há nenhum conveniente da pessoa vacinada fazer a doação, a gente só não gostaria de submeter a pessoa à coleta do sangue se ela não estiver bem, ou se ele tiver com algum efeito colateral da vacina", destacou o diretor do serviço de coleta do hemocentro Vagner Castro.

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SEM REFLEXOS

De acordo com Castro, apesar da orientação, o estoque do hemocentro não registrou quedas no número de doadores até o momento. Segundo ele, o estoque disponível hoje é suficiente para três dias, com doação média de 1,2 mil bolsas de sangue por semana. O ideal, no entanto, é quando o estoque está acima de cinco dias. 

"O estoque do Hemocentro hoje está em uma situação de relativa normalidade, dentro do que é comparável aos anos anteriores. No começo do ano a gente teve uma queda importante de 20/30% logo depois do período de festas, e com as campanhas que foram feitas nas redes sociais, a gente conseguiu recuperar, e estamos mantendo uma coleta de 1,2 mil bolsas de sangue por semana".

Ainda segundo Castro, a revogação do feriado de Carnaval deve manter o estoque estável. "A gente espera que a queda nas doações seja menor do que anos anteriores".  


Devido à pandemia, os hemocentros em todo o país adotaram medidas de segurança para evitar aglomerações e outros fatores de propagação do novo coronavírus. Os doadores precisam agendar um horário de atendimento, via internet ou telefone, e cada unidade passa por procedimento de higienização, tanto dos locais de circulação quanto para lavagem de mãos das pessoas.

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