Campinas aponta que análise de 'indicadores precoces' foi responsável por melhora da pandemia
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Campinas aponta que análise de 'indicadores precoces' foi responsável por melhora da pandemia


Em reunião com a FNP (Frente Nacional de Prefeitos) realizada na manhã desta sexta-feira (21), a Prefeitura de Campinas, informou que a melhora dos índices da pandemia do coronavírus na cidade, e o bom desempenho do município, durante a segunda onda, em comparação com o Estado, se devem a análise de indicadores de monitoramento precoce feita pela Saúde municipal. 

A cidade foi escolhida para apresentar aos prefeitos de todo o Brasil a experiência no combate à covid-19 e servir também de modelo, relatando as medidas tomadas durante a segunda onda da pandemia, enfrentada neste ano. 

Segundo a Saúde, os indicadores usados pela cidade e "não convencionais" permitiram avaliar mudanças no padrão epidemiológico da pandemia, observando alterações em indicadores da área hospitalar, laboratorial e do adoecimento da população. 

De acordo com os gestores, os índices precoces foram os responsáveis pelas tomadas de decisões municipais, como as restrições mais severas aplicadas na cidade, antes mesmo das medidas do governo estadual no mês de março. 

NÚMEROS

Dados retirados ontem da Fundação Seade foram usados pelo Devisa (Departamento de Vigilância em Saúde) para ilustrar os resultados das ações municipais. Segundo o balanço, enquanto no Estado de São Paulo a variação semanal de óbitos atualmente é de -4,1%, em Campinas a variação é de -41,8%. 

O Estado somou 388 casos de covid-19 por 100 mil habitantes nos últimos 14 dias, enquanto em Campinas são 291 casos.

Em abril, segundo o Devisa, a cidade teve queda de 13,1% nas mortes na comparação com março (pior mês de toda a pandemia na cidade). Já o Estado, teve em abril 42% de aumento de mortes em relação a março.

"Todo o Brasil falava que abril seria muito pior que março, e no Estado foi, com aumento de 42% entre março e abril. Mas em Campinas tivemos redução de 13%", apontou a diretora do Devisa, Andrea von Zuben. 

COMO NASCEU

Segundo o secretário de Saúde, Lair Zambon, o indicador precoce começou a ser usado neste ano com a segunda onda da covid-19 na cidade. Mas vale destacar que apenas neste ano, Campinas já superou o número de óbitos por covid-19 do ano passado. Até ontem, o total de mortos na cidade desde o início da pandemia é de 3.230. 

"O indicador precoce de monitoramento nasceu de forma observacional, de percepções que tivemos no ano passado e que nos permitiram tomar decisões precoces. Ele pode ser criticado de forma metodológica, mas tem vantagem que pode ser testado até mesmo de forma retroativa, explicou. 

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"Ele nasceu de muita discussão, muito stress na segunda onda e nos permitiu ter coragem de tomar medidas precoces de maneira até bastante criticada na época, algumas antes das tomadas pelo Estado, mas isso nos levou a ter menos morte em abril", acrescentou. 

COMO FUNCIONA

Segundo o Devisa, o número de hospitalizações e aumento de casos graves são indicadores tardios. Já entre os indicadores precoces de monitoramento estão à avaliação de atendimentos de síndromes gripais, o aumento de pacientes nas UBSs e PAs (Pronto Atendimento), o aumento da positividade de testes de covid-19 e a proporção de casos moderados e graves que demandam leito hospitalar em relação ao total de casos registrados. 

Segundo a Saúde, a proporção de aumento por duas semanas consecutivas já indica alerta à vigilância. 

A diretora do Devisa explicou que até os indicadores tradicionais - como é o caso da observação das internações- sejam conhecidos, há uma demora que pode ocasionar numa pressão maior no sistema de Saúde. Isso porque antes da internação, há de se levar em conta a contaminação e exposição e o período de transmissão da doença. 

"Até que os indicadores clássicos sejam conhecidos, demora e talvez já seja tarde. Até a internação, já temos muitas pessoas contaminadas, já na comunidade transmitindo, então quando a gente tem muita internação, já sabemos que tem muita gente infectada. A internação as vezes é só a ponta do iceberg", disse. 

NEM TÃO BEM-VISTOS

De acordo com a Andrea, os indicadores foram responsáveis por medidas antecipadas que geraram uma parte de revolta da população. 

"Esses indicadores fizeram a gente tomar medidas antecipadas de forma a evitar uma sobrecarga hospitalar, como o toque de recolher, a intervenção no hospital Metropolitano. Tudo isso gerou muita insatisfação porque as pessoas não entendiam os hospitais ainda não tão sobrecarregados e nós tomarmos medidas mais duras", disse Andrea. 


Desde 2 de março a Prefeitura de Campinas colocou a cidade na fase vermelha - até então mais restritiva. A medida foi tomada antes mesmo das restrições com a fase emergencial serem anunciadas pelo governo estadual. 

Mesmo assim, março foi o mês mais letal na cidade, com 617 óbitos que aconteceram dentro do mês.

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