Região de Campinas tem alta prevalência da variante P.4.
Fernanda Sunega/Prefeitura de Campinas
Região de Campinas tem alta prevalência da variante P.4.

A região de Campinas apareceu como a segunda no Estado com maior predominância da variante P.4 do coronavírus, descoberta recentemente no interior de São Paulo.

Segundo um estudo divulgado ontem (15) pelo Instituto Adolfo Lutz e o Centro de Vigilância Epidemiológica da Secretaria de Estado da Saúde, a nova cepa já estava presente desde janeiro no Estado, mas era confundida com a P.1, a variante descoberta em Manaus e batizada de Gamma .

Na região de Campinas, 35,2% das amostras tiveram predominância da P.4. A região só perdeu para a baixada santista, que teve 36,9% de predominância. Já a P.1, mais agressiva, esteve em 46,2% das amostras da região de Campinas, que ficou em último lugar na classificação dessa variante (veja o ranking abaixo)

Procurada, a Prefeitura de Campinas disse que a Secretaria de Saúde encaminha as amostras para o estado, mas não teve o retorno dos resultados específicos da cidade. Os dados de amostras por cidades da região não foram divulgados separadamente.

A descoberta da circulação da P.4 ocorreu após constatação de uma nova classificação genética pela comunidade científica nacional e internacional, mediante a reanálise dos sequenciamentos genéticos feitos pelo Lutz e outros laboratórios da rede.

A partir disso, foi detectado que a P.4 está presente em aproximadamente 20% das amostras analisadas desde o mês de janeiro em todas as regiões do Estado, com exceção do Vale do Ribeira. 

SEM EVIDÊNCIAS DE SER MAIS GRAVE

Com este cenário, de acordo com o estudo, a Gamma passou a representar 70% das amostras do Estado e não mais 90%, como antes da chegada da P.4. Diferentemente da primeira, esta ainda não é considerada variante de atenção, ou seja, não há até o momento evidencias que apontem maior potencial de transmissão ou agravamento dos pacientes infectados

A coordenadora de Controle de Doenças, Regiane de Paula, reiterou que os estudos sobre a linhagem P.4 seguem em curso. 

"Ainda não se pode dizer que ela impacta no número de casos, internações ou óbitos e somente com estudos poderemos encontrar respostas relacionadas a essa variante. Nossas equipes seguem analisando em múltiplas frentes este vírus, contribuindo com a Ciência e com as ações de combate à COVID-19 não somente no Estado de São Paulo", disse. 

ANÁLISES

Reclassificações filogenéticas ocorrem quando a comunidade científica obtém acesso a mais dados das amostras e, a partir disso, aprofunda os estudos nos organismos. Ao sinal de que determinada parcela de vírus de uma linhagem compartilha certas características de linhagem semelhante, podem ser estabelecidas novas variantes ou a reclassificação de uma variante que antes era associada a um grupo. 

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Estes estudos são possíveis por meio de estudos junto ao Gisaid, banco mundial de sequências genéticas. 

"A reclassificação sistemática dos vírus é natural e ocorre à medida que se conhece mais sobre o agente infeccioso durante a evolução da doença. No caso da P.4, há exemplares da linhagem P.1 que foram incorporados a ela, além de outros que até então eram considerados como parte de outras variantes", explica o diretor do Centro de Respostas Rápidas do Instituto Adolfo Lutz, Adriano Abbud. 

VARIANTES

Há centenas de variantes do novo coronavírus ao redor do mundo e apenas quatro delas são consideradas de atenção devido à possibilidade de aumento de transmissibilidade ou gravidade da infecção, por exemplo

São elas: Gamma (P.1), identificada no Brasil, B.1.1.7 (Alpha), identificada no Reino Unido, B.1.351 (Beta), identificada na África do Sul e a B.1.617.2 (Delta), identificada na Índia. 

A detecção de novas variantes do não deve ser confundida com diagnóstico, nem pode ser considerada de forma isolada. Trata-se de um instrumento de vigilância que contribui para o monitoramento da pandemia de COVID-19, não sendo necessário do ponto de vista técnico e científico sequenciamentos individualizados uma vez confirmada a circulação local da variante. 

A confirmação ocorre por meio de sequenciamentos genéticos realizados por laboratórios como o Instituto Adolfo Lutz, em São Paulo, e depende ainda do trabalho de Vigilância Epidemiológica para investigação dos casos, como históricos de viagens e contatos. Pesquisadores em todo o mundo seguem estudando o comportamento da pandemia e as mutações do vírus (SARS-CoV-2). 


REGIÕES E PREDOMINÂNCIA

PREDOMINÂNCIA DA P.4

- Baixada Santista (36,96%)
- Campinas (35,29%)
- São José do Rio Preto (29,75%)
- Sorocaba (29,75%)
- Araraquara (27,97%)
- São João da Boa Vista (22,45%)
- Grande São Paulo (16,03%)
- Barretos (12,24%)
- Marília (8,57%)
- Franca (6,25%)
- Piracicaba (5,56%)
- Presidente Prudente (5,56%)
- Ribeirão Preto (5,56%)
- Araçatuba (3,85%)
- Bauru (3,70%)
- Taubaté (3,39%). 

PREDOMINÂNCIA P.1

- Registro (90,91%)
- Ribeirão Preto (86,11%)
- Barretos (81,63%)
- Bauru (77,78%)
- São João da Boa Vista (73,47%)
- Grande São Paulo (73,28%)
- Piracicaba (72,22%)
- Taubaté (72,88%)
- Araçatuba (73,08%)
- Araraquara (68,53%)
- São José do Rio Preto (66,12%)
- Sorocaba (66,12%)
- Marília (62,86%)
- Presidente Prudente (61,11%)
- Franca (57,81%)
- Baixada Santista (52,17%)
- Campinas (46,22%).

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