Médico liga para família para passar boletim de saúde de idosa morta em Campinas
Reprodução: ACidade ON
Médico liga para família para passar boletim de saúde de idosa morta em Campinas


A família de uma moradora de Campinas que morreu na última terça-feira (15) no Hospital Municipal Mário Gatti recebeu na tarde de ontem (17) uma ligação da equipe médica da unidade para atualizar o estado de saúde da paciente enterrada no dia anterior .

No boletim, foi dito que a paciente seguia internada na unidade. A notícia abalou a família que fará a exumação do corpo. Em nota, a Prefeitura de Campinas, afirmou que o boletim passado pelo hospital à família estava errado e com atraso e que a idosa faleceu. 

O caso gerou grande indignação e preocupação para a família de Nilza Moreira da Conceição Pinho, de 65 anos, que foi sepultada na quarta-feira (16) no Cemitério dos Amarais após complicações causadas pela Covid-19. 

Segundo os familiares, Nilza não tinha doenças prévias e ficou internada por três semanas no hospital. Ela teve a morte confirmada às 9h30 do dia 15, e ontem (17) por volta das 18h, a família recebeu o telefonema. 

MAIS TRISTEZA

De acordo com Angela Moreira, filha da mulher, não houve reconhecimento do corpo no hospital, pois a equipe médica alegou que o velório já seria com caixão aberto. No entanto, mesmo com o funeral feito, o sentimento de dúvida permeia a família após a ligação, já que durante o velório o corpo estava irreconhecível. 

"Estamos muito indignados. Enterramos minha mãe e falaram que por causa da medicação poderia mudar a feição, e ela ficou irreconhecível. Isso nos deixou muito tristes e muitos abalados por não conseguirmos reconhecer. A médica falou que era por causa da medicação e então velamos, mas quando chega no dia seguinte o médico liga para minha irmã falando que iria passar o boletim dela", contou. 

Segundo ela, após a irmã contar sobre a morte, o médico encerrou a ligação sem dar explicações. 

"Ligaram do mesmo número de sempre. O médico confirmou o nome completo da minha mãe e disse que ia passar o boletim da situação de internação. Quando minha irmã disse que já tínhamos enterrado ela, ele simplesmente falou que era engano e desligou na cara dela", disse Ângela. 

Segundo a nota encaminhada pela Prefeitura, "por um equívoco, o médico que estava de plantão entrou em contato com a família e passou um boletim médico por engano". A rede disse que lamenta a situação, se solidariza com a família e está à disposição para os esclarecimentos necessários. 

CONFUSÃO NO HOSPITAL

Segundo Angela, após a ligação a família foi pessoalmente ao hospital para tirar a história a limpo e buscar explicações sobre a ligação. 

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"Fomos para o hospital e a princípio ninguém nos atendeu, a não ser uma recepcionista, que passou número da Ouvidoria e disse que não tínhamos como falar com ninguém. Depois acionamos a Polícia Militar e a Guarda Municipal, e com toda a repercussão acionaram o diretor do hospital. Ele repetiu o que nós tínhamos informado sobre a morte e disse que houve erro nos prontuários, mas não liberou o acesso ao boletim médico", contou. 

Após a conversa, o irmão de Angela foi autorizado a percorrer a ala de internação onde a Nilza tinha ficado internada, para "procurar" a idosa. Nenhuma paciente com características semelhantes foi encontrada. 

ERRO MUITO GRANDE

Apesar do hospital confirmar o erro médico e se desculpar, a família continua com dúvidas e protesta a forma de atendimento no hospital. 

"Como que pode um médico passar um boletim sem ter ido ao leito ver o paciente? Foi no terceiro dia após a morte. Ficamos e estamos com aquilo na cabeça, com eles dizendo que minha mãe estava lá", disse. 

"Estamos indignados por tudo isso e por não saber como funciona o setor de atendimento, agora não sabemos como foi o cuidado com a minha mãe. Se o médico passa um boletim então ele não estava lá, não viu o estado do paciente antes de passar um boletim? Passou um boletim qualquer? É um absurdo e não conseguimos aceitar", completou. 


BUSCA POR EXPLICAÇÕES

Segundo Angela, a família busca agora por mais explicações sobre o acontecimento e sobre o próprio atendimento médico.

A família conta que registrou um boletim de ocorrência, fará a exumação do corpo e estuda entrar na Justiça contra o hospital.  

Além da mãe, Angela tem ainda o irmão internado no hospital. O pai, que também passou por internação, teve alta recentemente. 

"Fizemos um boletim, vamos entrar com advogado, pedir o prontuário, entrar na justiça e fazer a exumação para ter a certeza de que é ela. Só assim para poder ficar tranquilo", completou.

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