Após Prefeitura, Unicamp também nega aplicação de vacina vencida.
Fernanda Sunega/Prefeitura de Campinas
Após Prefeitura, Unicamp também nega aplicação de vacina vencida.

A Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), em Campinas, divulgou uma nota informando que nenhuma dose de vacina contra covid-19 vencida foi aplicada na Unicamp. Ontem, uma matéria publicada pelo jornal Folha de São Paulo informou que 26 mil doses de vacinas da AstraZeneca teriam sido aplicadas após o vencimento em 1.532 municípios 86 doses em Campinas, sendo que 25 delas foram aplicadas pelo Hospital de Clínicas da Unicamp.

Ontem, a secretaria de Saúde de Campinas já havia negado a aplicação das doses vencidas e por meio de nota destacou que "Antes da aplicação de cada vacina, existem cinco checagens por diferentes profissionais das datas de validade das doses".  

A Prefeitura também explicou que que "o que aconteceu foi um erro no registro na tela do computador, em que o digitador clicou no lote errado e encaminhou ao sistema da Secretaria Estadual de Saúde (VaciVida). Os lotes são compostos por letras e números".

UNICAMP  

A Unicamp informou que o lote 4120Z004, com validade de 13/04/2021, foi recebido pelo CECOM (Centro de Saúde da Comunidade da Unicamp) no dia 27/01/2021 e aplicado integralmente em 2.315 trabalhadores da saúde no período de 29/01/2021 a 24/02/2021, portanto dentro da validade.  

Já outro lote de vacina AstraZeneca (213VCD019W), com validade de 17/09/2021, foi utilizado para a aplicação da 2ª dose desses trabalhadores, no período de 23/04/2021 a 17/05/2021, também dentro da validade.  

A Unicamp reitera sua constante atuação no combate à pandemia, mediante todos os protocolos de segurança, em respeito à sociedade e à população assistida em suas unidades de saúde.

MINISTÉRIO DA SAÚDE 

O Ministério da Saúde também informou que nenhuma dose vencida de vacina contra a covid-19 é repassada aos estados e o Distrito Federal. Acrescentou que o prazo de validade dos imunizantes é rigorosamente acompanhado desde o recebimento até a distribuição. 

Segundo o ministério, os estados são orientados a distribuírem imediatamente os imunizantes recebidos, sendo obrigação dos gestores locais do Sistema Único de Saúde (SUS) fazer o armazenamento correto e a aplicação das doses dentro do prazo de validade.

DIVERGÊNCIAS

Em nota, a prefeitura de Maringá (PR), apontada pela reportagem como o município que mais teria aplicado doses vencidas, afirmou que nenhuma dose fora da validade foi usada. Segundo o secretário de Saúde, Marcelo Puzzi, há divergências no preenchimento de dados no sistema eletrônico do SUS.

"O lançamento no Sistema Conect SUS está diferente do dia da aplicação da dose. Isso porque, no começo da vacinação, a transferência de dados demorava a chegar no Ministério da Saúde, levando até dois meses. Portanto, os lotes elencados são do início da vacinação e foram aplicados antes da data do vencimento. Concluindo, não houve vacinação de doses vencidas em Maringá e sim erro no sistema do SUS", explicou.

A Secretaria de Saúde do Governo do Distrito Federal também disse que é improcedente a informação sobre aplicação de vacinas vencidas.

"Ocorre que nem sempre a vacina aplicada é registrada no sistema do Ministério da Saúde na mesma data em que foi administrada no paciente. Caso o digitador não altere esta data de aplicação na hora de fazer o registro no sistema, corre-se o risco de a vacina ser registrada como uma aplicação fora do prazo de validade", afirmou a secretaria.



A secretaria municipal de Saúde do Rio de Janeiro declarou que recebeu do Ministério da Saúde todos os lotes de vacinas dentro do prazo de validade. Informou, também, que está verificando se houve aplicações de doses vencidas.

Segundo o Ministério da Saúde, o Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação contra a covid-19 (PNO) orienta que doses aplicadas fora do prazo de validade não podem ser consideradas para imunização, sendo recomendado recomeçar o ciclo vacinal, respeitando intervalo de 28 dias entre as doses.

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