Adesão as aulas presenciais na rede municipal ficou em 20% em Campinas
Reprodução: ACidade ON
Adesão as aulas presenciais na rede municipal ficou em 20% em Campinas

Pouco mais de dois meses se passaram desde que a Prefeitura de Campinas retomou as aulas presenciais na rede municipal e a análise da secretaria de Educação apontou para uma adesão ainda baixa da retomada presencial.

A expectativa é que mais alunos voltem para as salas de aula no segundo semestre. O recesso na rede começou na última quinta-feira, dia 8 e a secretaria ainda estuda ampliar o número de alunos permitidos a partir de agosto.

Na semana passada, o governo de São Paulo decidiu que as escolas públicas e privadas do estado da educação básica poderão retomar as aulas com até 100% da capacidade a partir de agosto , respeitando o distanciamento de 1 metro entre os estudantes.

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Segundo o secretário de Educação de Campinas, no ensino fundamental, o percentual de alunos aderindo ao ensino presencial nos meses deste ano ficou entre 20% e 25% no primeiro semestre. Já, nos agrupamentos menores a presença foi ainda menor, com cerca de 15%. 

Desde o retorno as salas de aula, em abril, a porcentagem dos alunos que decidiram voltar segue em torno de 20%. Vale lembrar que até então as escolas estavam autorizadas a funcionarem com até 35% de capacidade de ocupação e mantendo todas as regras de distanciamento e higienização elaboradas pela Vigilância Sanitária.

DESAFIO

Mas não é só o ensino presencial que tem sido desafiador para a Educação no Município durante a pandemia. A adesão do ensino à distância também tem sido baixa (leia mais abaixo). 

"Esse número é uma média ao longo das semanas. Mas ele não se alterou muito desde o início da volta às aulas. No ensino fundamental temos entre 20% e 25% de presença de alunos. Na pré-escola tivemos entre 15% e 20%, e nas creches a frequência é ainda menor, especialmente com os bebês", relatou o secretário José Tadeu Jorge.

Segundo Tadeu Jorge, o percentual de alunos presenciais varia entre escolas. Ele destacou que a presença de alunos é maior em regiões consideradas mais vulneráveis. 

"Em geral, as regiões mais carentes, mais vulneráveis têm adesão maior. A região Sudoeste (que engloba o distrito do Ouro Verde) por exemplo, é a região que tem mais adesão ao retorno, comparando, a região Norte (que engloba distritos de Barão Geraldo e bairros como Guanabara e Jardim Chapadão). Nessas áreas a adesão é bem menor", explicou. 

O MEDO AINDA É GRANDE

Para o secretário, o número de alunos no ensino presencial ainda é baixo devido ao medo das famílias em relação a contaminação das crianças pela covid-19.

Levantamento feito pelo Devisa (Departamento de Vigilância em Saúde), durante esse período de retomada, foram registrados quatro surtos de covid-19 em escolas municipais.  

"Tem uma tendência de aumento no retorno, mas é muito lento, muito pequeno e com muita oscilação. A adesão ainda é baixa devido ao receio das famílias em enviar as crianças para a escola", indicou José Tadeu.  

Apesar do registro dos surtos, o secretário afirma que nenhuma escola precisou ser fechada durante esses dois meses. Tadeu Jorge afirmou  também que o último balanço repassado para a secretaria apontava que 90% de todos os profissionais da Educação da rede municipal já tinham sido vacinados com pelo menos uma dose da vacina contra a covid-19. 

"Todos os profissionais da Educação podem se vacinar. Se não o fizeram é porque não querem ou por algum motivo de análise médica. Mas nós esperamos que em agosto todos já estejam vacinados e muitos com a imunização já completa", afirmou. 

O recesso escolar tem duração de 15 dias na rede municipal, com as aulas voltando ainda no final de julho. Segundo o secretário, para a Educação, a expectativa é que a procura presencial aumente a partir de agosto. 

"Como os números de casos e mortes pela doença estão caindo, junto ao avanço da vacinação esperamos que o retorno, agora em agosto, possa contribuir para uma maior segurança", indicou.  

ENSINO REMOTO

No início do mês, dados levantados junto ao governo do Estado pela área técnica do TCE (Tribunal de Contas do Estado) mostraram que 80% dos alunos de São Paulo não passaram de duas horas em aplicativos de aula on-line em 2020. 

Segundo o Secretário de Educação, apesar de Campinas não ter um levantamento sobre o período acessado pelos alunos da rede municipal, o número de alunos que frequentam as aulas on-line também é baixo.  

"É certo que a situação é muito semelhante, até porque tanto como estado como município, o perfil dos alunos matriculados na rede muitas vezes é o que moram em regiões mais vulneráveis, que não têm condições de migrar para o ensino privado. E esse grupo mais vulnerável tem menos condição de acompanhar aprendizado sem estar na escola", explicou.  

"Não é falta de adesão, é falta de condição de acesso, de equipamento, de internet. Não é que o aluno não queira ou opte, é que faltam recursos para o acesso", completou. 

OS PREJUIZOS

Nesses dois meses, a secretaria de Educação faz constantemente um diagnóstico sobre os prejuízos da aprendizagem dos alunos. Segundo José Tadeu, parte dos danos já foram avaliados. 

"É possível dizer que houve um grande prejuízo da formação das crianças por terem ficado mais de um ano sem atividades escolares presenciais. Os primeiros dados levantados confirmam o que era esperado, que houve impacto negativo na formação a ausência dos alunos, mas nós ainda estamos afinando esses dados. Esse tempo foi dedicado para calibrar a metodologia e tentar mitigar o máximo possível essa defasagem negativa", explicou. 

"Em alguns casos, sabemos que a recuperação poderá levar alguns meses, e até ao longo do ano que vem vamos trabalhar para suprir essas deficiências", finalizou. 

AULAS EM AGOSTO 

Na semana passada, o governo de São Paulo decidiu que as escolas públicas e privadas do estado da educação básica poderão retomar as aulas com até 100% da capacidade a partir de agosto , respeitando o distanciamento de 1 metro entre os estudantes.  


A secretaria estadual da Educação afirma que cada escola vai poder avaliar se tem capacidade para retomar as atividades presenciais, obedecendo às normas de distanciamento estabelecidas. Antes, o limite de presença em sala de aula era de 35%

Outra medida foi a liberação do governo do Estado da retomada das aulas presenciais nas universidades e nas escolas de ensino técnico a partir do dia 2 de agosto. Segundo o governo, as instituições de ensino superior, como as universidades e as faculdades técnicas, poderão receber presencialmente até 60% do total de alunos. Já os cursos técnicos de nível médio, como as ETECs, seguem as mesmas regras da educação básica, ou seja, não têm limite de ocupação.

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