Paolla Miguel foi vítima de racismo durante sessão na Câmara.
Divulgação/Câmara Municipal
Paolla Miguel foi vítima de racismo durante sessão na Câmara.


A Polícia Civil de Campinas concluiu nesta segunda-feira (22) o inquérito sobre a injúria racial sofrida pela vereadora Paolla Miguel (PT), xingada de "preta lixo" durante uma sessão na Câmara no dia 8 de novembro.

Uma mulher identificada e ouvida pela DIG (Delegacia de Investigações Gerais) foi indiciada pelo crime e todo o material levantado durante as apurações, como áudios e vídeos da reunião, já foi enviado ao Poder Judiciário.

Ainda de acordo com a DIG, todas as informações também devem ser encaminhadas nos próximos dias ao MP (Ministério Público), que deve avaliar a hipótese de oferecer ou não denúncia contra a suspeita.


A mulher foi identificada por um vereador no último dia 11. Segundo o delegado responsável pelo caso, José Glauco Pereira, a indiciada foi identificada porque estava sem máscara nas galerias do plenário quando ofendeu a vereadora.

A DIG confirmou que ela é filiada a um partido de direita, mas não detalhou a sigla. Os investigadores não revelaram outros dados, como a idade e o local onde mora, mas afirmam ter indícios de que ela praticou o crime sozinha.

No dia 12, Paolla e outros quatro parlamentares que presenciaram a ofensa prestaram depoimento sobre a injúria racial. Além de ouvir todos os envolvidos no caso, a DIG também analisou o áudio e as imagens da reunião.

O conteúdo gravado em plenário também será alvo de apuração da presidência da Câmara. No último dia 17, uma CP (Comissão Processante) foi aberta contra o vereador Nelson Hossri (PSD) pela postura dele no dia da ofensa.

O CASO

Na sessão ordinária de 8 de novembro, a vereadora Paolla Miguel falava na tribuna justamente sobre o preconceito durante a discussão sobre a criação do Conselho de Desenvolvimento e Participação da Comunidade Negra.

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Enquanto ela discursava, manifestantes que protestavam durante a sessão da noite de segunda-feira contra o passaporte da vacina passaram a vaiar a fala dela e uma das integrantes do grupo gritou "preta lixo" contra Paolla.

Vários membros da Casa ouviram o ataque racista e denunciaram o caso na tribuna. O xingamento repercutiu entre o meio político e gerou reação também de diversos órgãos e entidades, como a OAB (Ordem dos Advogados do Brasil).

Dois dias depois, centenas de manifestantes de grupos sociais e partidos de esquerda protestaram em apoio à vereadora. O ato se concentrou do lado de fora, mas também aconteceu dentro da Câmara Municipal.

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