
A Prefeitura de Campinas, cidade do interior de São Paulo, anunciou nesta terça-feira (27) novas medidas para fortalecer o enfrentamento à violência contra as mulheres. Com foco na prevenção e no acolhimento , o município implementará inovações conduzidas por diferentes secretarias, com o objetivo de fortalecer as políticas públicas voltadas à proteção e à reconstrução da autonomia das vítimas.
O prefeito Dário Saadi apresentou um plano de ação que ficará sob coordenação da Secretaria de Políticas para as Mulheres, estruturado a partir de eixos estratégicos como saúde, educação, segurança, assistência social, desenvolvimento e cultura.
“Campinas está dando início a novas iniciativas para reduzir, de forma contínua, os índices de violência. A valorização e a proteção das mulheres são compromissos desta gestão”, destacou o prefeito.
A primeira-dama Maria Giovana Fortunato também reforçou que a atenção ao tema será permanente e que, se necessário, a administração poderá adotar novas medidas ou promover ajustes ao longo do tempo.
“O compromisso de proteger as mulheres é inegociável”, declarou.
Confira quais as ações municipais que serão desenvolvidas por cada área:
Desenvolvimento Econômico, Tecnologia e Inovação (soluções inovadoras)
- Chamamento público de empresa de tecnologia, por meio de sandbox, para desenvolver uma ferramenta com inteligência artificial (IA) para detecção de riscos de violência contra a mulher;
- O sandbox regulatório é um ambiente controlado que permite à administração pública testar soluções inovadoras e novas tecnologias com segurança jurídica, antes de qualquer contratação definitiva.
Desenvolvimento e Assistência Social (proteção e direitos)
- Redução pela metade do tempo de solicitação de auxílio-moradia para mulheres em situação de violência: vai de 30 para 15 dias, com contagem a partir da solicitação junto ao Centro de Referência de Assistência Social (Creas);
- O valor mensal é de R$ 994,31 (195 UFICs). A duração é de seis meses, mas o benefício pode ser ampliado e chegar a 12 meses. Os atendimentos subiram nos últimos anos e refletem também a confiança na política pública: 37 em 2023, 75 em 2024 e 102 em 2025;
- Formação sobre masculinidades com jovens atendidos pelo programa Juventude Conectada.
Educação (prevenção e formação desde a base)
- Formação on-line para profissionais de educação que atuam nas 429 escolas municipais e estaduais com turmas de educação básica. O certificado de conclusão será emitido pela Secretaria de Políticas para as Mulheres;
- Plano pedagógico 2026 com foco em equidade, incluindo abordagens sobre prevenção à violência contra as mulheres e valorização das mulheres;
- Discussão sobre masculinidades com pelo menos 1 mil estudantes do 8º ano (ensino fundamental 2) da rede municipal, além de grupos de alunos da rede estadual;
- Concurso de redação como ferramenta de sensibilização e reflexão crítica (5º a 9º ano do ensino fundamental);
- Desenhos com frases para o período do 1º a 4º ano;
- Desenhos para turmas de educação infantil.
Saúde (identificação precoce e cuidado qualificado)
- Capacitação de profissionais da atenção primária em saúde sobre violência de gênero, com foco nos primeiros sinais. A 1ª parte do projeto tem início em março, com um mapeamento de necessidades por região, enquanto o curso on-line deve ser lançado em agosto e incluir 3,2 mil trabalhadores;
- Certificação vinculada à progressão de carreira, garantindo adesão e continuidade;
- Mapeamento das necessidades por região, de acordo com os casos de violência identificados em cada território.
Segurança (proteção e responsabilização)
- Criação de um grupo executivo integrado pela Guarda e polícias Civil e Militar com foco na tomada de decisões estratégicas para o enfrentamento à violência contra a mulher. Ele atuará de forma permanente na análise de dados, no monitoramento de ocorrências e na articulação de operações conjuntas, fortalecendo a prevenção, a identificação dos agressores e a resposta rápida aos casos;
- A iniciativa prevê ainda a implementação de uma força-tarefa especializada, o compartilhamento de informações e o planejamento de procedimentos, garantindo mais eficiência, agilidade e proteção às vítimas.
Cultura e Turismo (visibilidade e acolhimento)
- Distribuição de protetores de copo durante o carnaval para reduzir o risco de adulteração de bebidas. Cerca de 2 mil unidades foram doadas pela empresa Drink Watch;
- Além disso, será mantida no carnaval 2026 a iniciativa “tenda contra o assédio” destinada ao atendimento, orientação e encaminhamento de vítimas de importunação ou violência;
Orientações para prevenção ao assédio durante grandes eventos públicos na cidade.
Atuação integrada
A apresentação do planejamento contou com a participação de secretários municipais, representantes das forças de segurança e membros de conselhos municipais. A secretária de Políticas para as Mulheres, Alessandra Herrmann, destacou a importância de uma atuação intersetorial e contínua no enfrentamento à violência, envolvendo prevenção, acolhimento, proteção e fortalecimento da autonomia feminina em toda a rede pública. Também estiveram presentes autoridades das áreas de saúde, educação, assistência social, segurança pública, cultura, desenvolvimento econômico e representantes das polícias Civil e Militar.
Panorama da violência contra mulheres em Campinas
O número de registros de violência contra mulheres adultas que vivem em Campinas cresceu 12% na comparação entre 2023 e 2024. De acordo com o 18º Boletim do Sistema de Notificação de Violência em Campinas (Sisnov), divulgado pela Prefeitura em dezembro de 2025, as notificações subiram de 1.585 para 1.777 no período analisado.
Entre 2019 e 2024, foram contabilizadas 6.818 notificações de violência. Nesse recorte, cônjuges ou ex-cônjuges das vítimas aparecem como responsáveis por 42,1% dos casos registrados.
Quais os programas que Campinas já tem?
A Prefeitura já desenvolve diversas políticas públicas direcionadas às mulheres, com foco em atender suas demandas nas áreas de saúde, educação, assistência social e segurança pública. Entre as principais iniciativas, destacam-se:
- Abrigo Sara-M: Acolhimento seguro para mulheres vítimas de violência, com escuta qualificada e apoio para romper o ciclo da violência. Acolhe mulheres maiores de 18 anos, encaminhadas por órgãos de proteção. Possui 20 vagas para mulheres e seus filhos.
- Ceamo: Acolhimento e orientação para mulheres em situação de violência, com apoio social e jurídico para fortalecimento da autoestima e rompimento do ciclo da violência. Atende 130 mulheres por mês. O Ceamo fica na rua Onze de Agosto, 412, Centro. Horário de atendimento: das 8h às 19h (de segunda a sexta-feira). Telefone: (19) 3236-3619 (também é WhatsApp). E-mail: [email protected].- Grupo Mulheres Empreendedoras: Promove a emancipação econômica de mulheres em situação de vulnerabilidade, incluindo vítimas de violência.- Renda Campinas: Programa de transferência de renda para famílias em situação de pobreza, com prioridade para mulheres chefes de família. Beneficia 16.909 famílias.- Abrigo Amigo: Parada de ônibus com totem que permite chamada de vídeo, em tempo real, para a central de atendimento que pode acionar forças de segurança, caso a mulher se sinta ameaçada. Funciona das 20h às 5h. Já teve 1.194 acionamentos de setembro de 2023, quando o primeiro foi instalado, até fevereiro deste ano.- Botão Bela: Botão de emergência que pode ser acionado no aplicativo da Emdec, por vítimas ou testemunhas de importunação e assédio sexual, no transporte coletivo. Quando acionado, o botão alerta a Guarda Municipal, que envia uma viatura para abordar o ônibus.- Desembarque Fora do Horário: Lei Municipal garante às mulheres desembarque em local mais seguro, mesmo que fora do ponto de parada, entre 22h e 5h.- Guarda Amigo da Mulher (Gama): Fiscaliza o cumprimento das medidas protetivas concedidas às mulheres que sofrem violência doméstica por meio de visitas periódicas na casa das vítimas.- Sala Lilás: Acolhe e orienta as mulheres em situação de violência, encaminhando-as aos órgãos da Rede de Atendimento. Mulheres que sofrem violência doméstica ou que conhecem outras mulheres nesta situação podem procurar a Sala Lilás para acolhimentos e o orientações.- Botão SOS Gama: Ferramenta na qual a mulher que é assistida pelo programa pode acionar a Guarda Municipal por meio de um aplicativo de celular. Em 2024, a GM efetuou 27 prisões por descumprimento de medida protetiva. Para ter acesso aos serviços, as mulheres que estão com medida protetiva podem ligar no telefone 153 ou procurar a Sala Lilás que fica na base do Centro da GM (na avenida Moraes Salles, s/n).- Planejamento Familiar: Os centros de saúde disponibilizam métodos anticoncepcionais como camisinha, anticoncepcionais orais e injetáveis, DIU e implante subdérmico. Também é feita laqueadura ou vasectomia.- Casa da Gestante: Projeto pioneiro no país, o serviço já atendeu 147 mulheres em situação de vulnerabilidade em saúde, de 2016 a 2023.- Hospital da Mulher: O Centro de Referência de Assistência Integral à Mulher (Craim) em Campinas, o Hospital da Mulher, recebe pacientes mediante encaminhamento por outros serviços da Saúde. O funcionamento ocorre em dias úteis, das 7h às 19h.