
A Sociedade de Abastecimento de Água e Saneamento S.A. (Sanasa) recebeu aprovação do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para um financiamento de R$ 251,75 milhões a fim de otimizar e melhorar o abastecimento de água em Campinas (SP). O plano contempla a substituição de 201,84 km de tubulações, a reconfecção de 17.701 ligações prediais e obras complementares de controle de rede. A execução integra o Programa de Controle e Redução de Perdas da companhia e tem conclusão prevista para 2028.
O que será feito e por que importa
Do total aprovado, R$ 114 milhões virão do Programa Eco Invest e R$ 137,75 milhões de linhas tradicionais do BNDES. O objetivo é reduzir perdas físicas e mitigar o desperdício de água tratada, aumentando a eficiência operacional e a segurança hídrica.
Para isso, a Sanasa modernizará a infraestrutura, substituindo redes antigas de cimento por Pead (Polietileno de Alta Densidade), material mais resistente e durável.
O pacote inclui setorização do sistema, instalação de válvulas e hidrantes e seccionamento para manutenções, medidas que facilitam o controle de pressão, a detecção de vazamentos e a redução de interrupções.
Segundo o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, a atualização de um sistema implantado nos anos 1960 com ferro fundido e cimento “contribuirá com a melhoria da saúde e da qualidade de vida da população” e com a gestão hídrica, prioridade do governo federal.
O prefeito Dário Saadi destacou que Campinas já opera com 16,62% de perdas, um dos menores índices do país, a média nacional supera 37%, resultado de “planejamento e trabalho sério”.
Para o presidente da Sanasa, Manuelito Magalhães Júnior, essa é a primeira operação com o BNDES e permitirá ampliar investimentos mantendo o padrão de excelência que levou a empresa ao topo do ranking nacional do saneamento.
Impacto ambiental, tecnologia e cronograma
Entre 2021 e 2025, a Sanasa substituiu 474,88 km de redes antigas por Pead, reduzindo o índice de perdas de 20,17% para 16,62%. A troca por tubulações mais resistentes diminui vazamentos e rompimentos e, por consequência, reduz paradas emergenciais para reparos.
O ganho ambiental é direto: entre 2021 e 2024, Campinas deixou de retirar 3 bilhões de litros dos rios que abastecem a cidade, volume suficiente para atender 50 mil habitantes.
As obras utilizarão a tecnologia MND (Método Não Destrutivo), que evita a abertura de valas ao longo de toda a via. São feitos apenas dois recortes por quadra para passagem do equipamento, o que reduz impacto ao tráfego e aos moradores. Durante a intervenção, o abastecimento é garantido por redes provisórias aéreas, desativadas ao final do serviço.
A setorização abrangerá 15 bairros e regiões, entre eles Jardim Rossin, Jardim Roseira, Cambuí, Nova Campinas, Bosque/Proença, Vila Costa e Silva, Centro, Ponte Preta (blocos 1 e 2), Jardim Santa Cândida, Vila Santa Odila, Jardim Cantúsio, Santa Mônica e São Marcos.
A Sanasa estima beneficiar cerca de 140 mil habitantes com maior confiabilidade no fornecimento.
No balanço histórico, a atual gestão trocou mais redes em quatro anos do que em 27 anos do programa iniciado em 1994 (de 450 km até 2020 para mais de 474 km entre 2021 e 2025), reforçando a estratégia alinhada ao Plano Campinas 2030 de segurança hídrica e sustentabilidade.