
Um acampamento montado por estudantes em greve na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) foi alvo de uma invasão na madrugada desta quarta-feira (27). Segundo relatos registrados pela Polícia Civil, cinco homens teriam entrado no local, derrubado barracas e feito ameaças contra os jovens que participavam da mobilização. O caso foi registrado como ameaça e injúria.
De acordo com a Secretaria de Segurança Pública (SSP), os estudantes estão acampados de forma pacífica em frente ao Ciclo Básico 2 desde o início da paralisação. Um vigilante da universidade informou que os invasores ofenderam e intimidaram os participantes durante a ação. A Polícia Militar foi acionada para conter a situação, e a ocorrência foi encaminhada ao 7º Distrito Policial, em Barão Geraldo.
Universidade repudia episódio
Imagens divulgadas pelo Centro Acadêmico do Instituto de Artes da Unicamp (Caia) mostram momentos da confusão. Em nota publicada nas redes sociais, o Diretório Central dos Estudantes (DCE) afirmou que alunos responsáveis pela segurança do acampamento também sofreram agressões físicas.
Em posicionamento oficial, a Reitoria da Unicamp repudiou o ocorrido.
Episódios de invasão, filmagens não autorizadas e atos que comprometam a segurança e a integridade física de alunos, docentes e funcionários são intoleráveis. Tais condutas representam uma afronta à autonomia universitária, à convivência democrática e ao livre exercício do debate acadêmico que norteiam esta Universidade. Unicamp, em nota
A instituição também declarou que "a Unicamp reafirma que defende o diálogo como instrumento soberano para a resolução de conflitos e que não tolera atos de violência, coerção ou intimidação". Segundo a universidade, medidas administrativas e jurídicas já estão sendo adotadas para identificar os envolvidos e responsabilizá-los.
A reitoria ainda manifestou solidariedade aos estudantes atingidos e garantiu que tomará providências para reforçar a segurança no campus.
Por fim, assegura que tomará as providências cabíveis para preservar a segurança da comunidade e a tranquilidade em todas as áreas do campus. A universidade pública e gratuita é um espaço de pluralidade e deve ser preservada como um local de respeito e paz. Unicamp, em nota
Esta é a segunda vez, em um período de três meses, que estudantes da Unicamp denunciam episódios de intimidação dentro do campus.
Outro caso recente no campus
A invasão ao acampamento acontece cerca de três meses após outro episódio de tensão dentro da Unicamp. Em fevereiro deste ano, o primeiro dia de aulas foi marcado por uma confusão durante a tradicional Calourada, realizada para recepcionar os novos estudantes no campus de Barão Geraldo.
Na ocasião, um grupo identificado como integrantes do Movimento Brasil Livre (MBL) entrou na universidade e começou a cobrir com tinta branca grafites e pinturas em um muro do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH). A ação gerou confronto com estudantes, que acusaram os militantes de intimidação e agressões. O MBL, por sua vez, alegou que realizava a restauração de paredes pichadas e afirmou que seus integrantes também foram agredidos. Após o episódio, a Unicamp repudiou a invasão e informou que adotaria medidas para identificar e responsabilizar os envolvidos.