Após rejeitar a proposta apresentada pela instituição, os trabalhadores decidiram continuar a paralisação
Divulgação STU
Após rejeitar a proposta apresentada pela instituição, os trabalhadores decidiram continuar a paralisação


O impasse entre a reitoria da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e o Sindicato dos Trabalhadores da universidade (STU) segue sem previsão de solução e mantém a greve dos servidores técnico-administrativos, iniciada em 11 de maio. Após rejeitar a proposta apresentada pela instituição, os trabalhadores decidiram continuar a paralisação.  Em resposta, a universidade anunciou a suspensão das negociações.

A decisão dos servidores foi tomada em assembleia realizada na última quinta-feira (25). Segundo a categoria, as propostas apresentadas pela reitoria ainda estão distantes das reivindicações consideradas prioritárias.

Categoria considera proposta insuficiente

Em nota, o STU afirmou que os avanços apresentados pela universidade não atendem às necessidades dos trabalhadores e criticou o encerramento unilateral das negociações.

De acordo com o sindicato, a interrupção da mesa de diálogo demonstra falta de disposição da reitoria para avançar em temas considerados fundamentais, como valorização profissional, condições de trabalho e melhorias nos benefícios.

Mesmo sem novas reuniões previstas, o sindicato informou que manterá a greve e continuará defendendo a retomada imediata das negociações.

Os servidores são os únicos que seguem paralisados na universidade. Os docentes encerraram a greve em 11 de junho, após aprovarem o reajuste salarial de 3,92% negociado pelo Conselho de Reitores das Universidades Estaduais Paulistas (Cruesp). Já os estudantes encerraram o movimento no dia seguinte, após avanços relacionados à permanência estudantil e moradia.

Reivindicações incluem salários e benefícios

Entre as principais reivindicações do STU está o reajuste salarial de 7,52%. Inicialmente, o percentual reivindicado era de 15,97%, mas foi reduzido durante as negociações.

Além do aumento nos salários, os trabalhadores também cobram reajustes no vale-alimentação, vale-refeição e auxílio-saúde, com valores equiparados aos praticados pela Universidade de São Paulo.

A pauta inclui ainda demandas relacionadas à valorização da carreira, redução da jornada de trabalho, melhorias no transporte fretado, respeito aos direitos das pessoas com deficiência, revisão das condições dos trabalhadores terceirizados e pagamento de progressões e gratificações.

Outro ponto defendido pela categoria é a aplicação da medida conhecida como "Descongela Já", que prevê a contagem do período da pandemia da Covid-19 para fins de benefícios e tempo de serviço.

O que a reitoria propôs

Antes de suspender as negociações, a Unicamp apresentou uma série de propostas condicionadas ao encerramento da greve.

Entre elas estão o aumento do vale-alimentação de R$ 1.950 para R$ 2 mil, equiparando o benefício ao valor pago pela Universidade Estadual Paulista, além do reajuste do vale-refeição de R$ 43 para R$ 50 por dia.

A universidade também propôs elevar o auxílio-saúde para R$ 990 mensais a partir de janeiro de 2027, desde que a arrecadação do ICMS-QPE alcance a meta prevista para este ano.

Sobre os salários, a reitoria manteve o índice de 3,92% definido pelo Cruesp, percentual que ainda será submetido à apreciação do Conselho Universitário em reunião extraordinária marcada para 7 de julho.

Segundo a administração, as propostas foram formuladas em um cenário de forte restrição orçamentária. A estimativa é que a universidade registre déficit superior a R$ 570 milhões em 2026, valor que pode ultrapassar R$ 650 milhões após a incorporação do reajuste salarial já concedido.

Futuro da greve segue indefinido

Com as negociações interrompidas, o fim da greve permanece indefinido.

A reitoria sustenta que só retomará as conversas após o encerramento da paralisação, embora afirme manter compromisso com o diálogo institucional.

Já o STU defende a reabertura imediata da mesa de negociação e aguarda uma devolutiva da universidade sobre pontos da pauta específica emergencial.

Os trabalhadores pretendem discutir os próximos passos do movimento em novas assembleias previstas para os primeiros dias de julho, quando poderão decidir pela continuidade ou encerramento da greve.

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