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Os estudantes da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) decidiram encerrar a  greve por moradia e permanência estudantil após avanços nas negociações com a reitoria. A decisão foi confirmada na noite de sexta-feira (12), durante assembleia realizada no campus de Limeira, no interior de São Paulo.

O movimento já havia sido encerrado pelos alunos de Campinas (SP) um dia antes, mas ainda dependia da aprovação dos estudantes limeirenses. Com a votação unânime pelo fim da paralisação , as aulas voltam gradativamente a partir desta segunda-feira (15).

Segundo representantes estudantis, cerca de 95% das reivindicações apresentadas pelo Diretório Central dos Estudantes (DCE) foram contempladas nas propostas feitas pela universidade.

Foi um trabalho muito difícil, mas recompensador. Tivemos momentos emocionantes na assembleia e saímos com a sensação de vitória. Víctor Guglielmoni, representante do Diretório Acadêmico de Limeira



Reitoria apresentou compromissos

As negociações entre estudantes e reitoria se intensificaram após a ocupação do prédio da Diretoria Geral da Administração (DGA) , realizada pelos grevistas no início da semana.

Entre os compromissos assumidos pela Unicamp estão investimentos em moradia estudantil nos campi de Campinas e Limeira, criação de grupos de trabalho para discutir bolsas e permanência, melhorias no transporte entre unidades e ampliação das equipes de apoio psicológico e social.

A universidade também prometeu ampliar espaços de convivência, acessibilidade e acolhimento aos estudantes, além de discutir mecanismos voltados à diversidade e inclusão.

Em nota, a instituição afirmou que as medidas foram definidas com base na viabilidade acadêmica, administrativa e financeira, para garantir a implementação das propostas ao longo do tempo.

Professores encerraram paralisação

O fim da greve estudantil aconteceu um dia depois dos docentes também aprovarem o encerramento da paralisação. Os professores aceitaram a proposta de reajuste salarial de 3,92% negociada entre o Conselho de Reitores das Universidades Estaduais Paulistas (Cruesp) e o Fórum das Seis.

Apesar disso, os servidores técnico-administrativos ligados ao Sindicato dos Trabalhadores da Unicamp (STU) seguem em greve. Uma nova assembleia da categoria está prevista para esta terça-feira (16).

As três categorias atuaram de forma conjunta durante o movimento, que teve como foco não apenas a recomposição salarial, mas também melhorias nas condições de estudo, trabalho e permanência dentro das universidades públicas paulistas.

Artes e dança denunciam abandono estrutural

Enquanto a greve chegava ao fim, estudantes dos cursos de dança e artes cênicas da Unicamp voltaram a denunciar problemas estruturais e falta de professores no Instituto de Artes (IA).

Segundo os alunos, as aulas acontecem em espaços improvisados e parte das obras prometidas para os cursos permanece parada há anos. No caso da dança, estudantes afirmam que o curso existe há mais de quatro décadas sem um prédio próprio.

Já no teatro, alunos relatam que o Teatro Laboratório segue inacabado mesmo após mais de 25 anos do início das obras. Eles também apontam falta de orçamento para produções acadêmicas e pesquisas obrigatórias da graduação.

Outra reclamação é a redução do número de docentes. De acordo com estudantes, aposentadorias não vêm sendo repostas, o que ameaça disciplinas e até a continuidade de atividades dos cursos.

A reitoria reconheceu as demandas e informou que a reconstrução do Paviartes deve começar ainda neste mês. A universidade também prometeu manter o debate sobre contratações e melhorias estruturais nas próximas mesas de negociação.

Movimento começou em maio

A greve estudantil teve início de forma escalonada em maio, após estudantes afirmarem que suas pautas ficaram de fora das discussões do Cruesp.

O campus de Limeira aderiu ao movimento no dia 5 de maio, enquanto cursos de Campinas passaram a entrar em greve nos dias seguintes. A paralisação geral foi aprovada oficialmente em 18 de maio.

Entre as principais reivindicações estavam ampliação de bolsas, melhorias na moradia estudantil, transporte entre campi, atendimento em saúde mental, combate à terceirização e criação de estruturas de acolhimento contra violência sexual em Limeira.

Segundo o DCE, a mobilização tinha como objetivo garantir “dignidade para morar, estudar e trabalhar” dentro da universidade.

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