
Quando se fala na cidade de Campinas, em São Paulo, é comum lembrar do Aeroporto Internacional de Viracopos, da tecnologia ou das universidades. Mas pouca gente sabe que a cidade também abriga um lugar que preserva parte da história da aviação brasileira: um museu a céu aberto onde os visitantes podem caminhar entre aeronaves históricas e até entrar em alguns dos aviões .
Localizado às margens da Rodovia SP-73, na região do Parque Centenário, o Museu de Aviação reúne aeronaves comerciais e executivas que, em muitos casos, já estavam destinadas ao desmonte. Em vez de virarem sucata, elas ganharam uma nova função: preservar a memória da aviação e aproximar o público desse universo.
Além de conhecer os aviões de perto, quem visita o espaço pode entender como acontece o trabalho de recuperação das aeronaves e descobrir curiosidades sobre modelos que marcaram época no transporte aéreo brasileiro.

Um Boeing da Varig é um dos grandes destaques
Entre as principais atrações está um Boeing 727 que pertenceu à antiga Varig, uma das companhias aéreas mais tradicionais do Brasil.
A aeronave realizou seu último voo em 2005 e permaneceu cerca de duas décadas estacionada no Aeroporto de São José dos Campos antes de ser resgatada para integrar o acervo do museu.
O modelo chama atenção não apenas pelo tamanho, mas também pela importância histórica. O Boeing 727 foi um dos aviões comerciais mais utilizados no mundo entre as décadas de 1960 e 1990 e ajudou a impulsionar o crescimento da aviação comercial brasileira.
Hoje, os visitantes podem observar de perto detalhes da aeronave e conhecer parte da história de um equipamento que transportou milhares de passageiros ao longo de sua vida útil.
Aviões que ganham uma segunda vida
O acervo do museu continua crescendo à medida que aeroportos e empresas precisam retirar aeronaves que permanecem anos sem operação.
Antes de chegarem ao espaço, os aviões passam por um processo técnico de desmontagem para transporte. As asas e outras estruturas são removidas temporariamente para que possam ser levadas por caminhão até Campinas.
Depois da chegada, cada aeronave é avaliada. Algumas passam a integrar definitivamente o museu e recebem trabalhos de conservação. Outras são restauradas para novos projetos, como restaurantes temáticos, hotéis, espaços de eventos e produções audiovisuais.

A proposta é mostrar que um avião pode continuar contando histórias mesmo depois de deixar de voar.
Experiência vai além da exposição
Diferentemente de um museu tradicional, o visitante não fica apenas observando os aviões à distância.
Durante o passeio, é possível entrar em algumas aeronaves, conhecer cabines, corredores e outros espaços normalmente vistos apenas por passageiros durante um voo. O ambiente também costuma despertar a curiosidade de crianças e de pessoas apaixonadas por aviação.
Alguns modelos do acervo ainda são utilizados em gravações, eventos e ações temáticas, recebendo uma nova função sem perder seu valor histórico.
Um passeio diferente em Campinas
Embora já esteja aberto para receber visitantes, o Museu de Aviação ainda passa por expansão. A inauguração oficial está prevista para janeiro de 2027, período em que novos aviões deverão ser incorporados ao acervo.
O objetivo é transformar o espaço em um ponto de encontro para admiradores da aviação, estudantes e famílias, além de incentivar o interesse das novas gerações pelas profissões ligadas ao setor aeronáutico, área que enfrenta escassez de mão de obra especializada em diversas funções.
Como visitar
O Museu de Aviação funciona de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h, exceto em feriados.
As visitas são abertas ao público, sem necessidade de agendamento prévio para pequenos grupos.
Ingressos:
Inteira: R$ 20
Meia-entrada: R$ 10
Durante o passeio, os visitantes podem fotografar as aeronaves, entrar em parte do acervo e conhecer de perto modelos que fizeram parte da história da aviação brasileira.