
A espera pela liberação do corpo de Lívia Bevilacqua Batista, de 20 anos, tem prolongado o sofrimento da família. Desde o domingo (12), a mãe da jovem, Danila Bevilacqua, passou a visitar diariamente o local onde a Porsche em que a filha estava bateu contra uma árvore e pegou fogo , na Rodovia Francisco Von Zuben (SP-091), entre Campinas e Valinhos, no interior de São Paulo.

Sem conseguir realizar o velório e o sepultamento cinco dias após a tragédia, a família transformou o trecho do acidente em um espaço de homenagem e oração.
Trago flor, trago oração, trago meu coração. Eu tento acalentar o meu coração aqui, pedindo que a gente consiga conceder um descanso para ela diferente. Danila Bevilacqua, mãe da jovem que faleceu no acidente
Segundo a mãe, a rotina começou dois dias após o acidente e segue sendo repetida diariamente enquanto a família aguarda a liberação do corpo.
Liberação depende de identificação oficial
Apesar de a Polícia Civil já ter confirmado oficialmente a identidade de Lívia e alterado a investigação para homicídio culposo na direção de veículo automotor, o corpo ainda não foi liberado para a família.
De acordo com a Secretaria da Segurança Pública (SSP), a autorização para o sepultamento depende da conclusão da identificação médico-legal realizada pela Polícia Técnico-Científica, seguindo os protocolos previstos em lei.
O procedimento pode envolver exames papiloscópicos, odontológicos, genéticos e outros métodos periciais, dependendo das condições do corpo.
O pai da jovem afirma que já entregou tudo o que foi solicitado pelos investigadores para auxiliar na identificação.
Toda a arcada dentária, fotos dela, filmagens, imagens do carro, do local onde ela saiu e até o meu DNA. Não tem mais o que fazer. Pai de Lívia Bevilacqua
Investigação mudou de natureza
Inicialmente registrado como choque contra obstáculo, incêndio e morte suspeita, o caso passou a ser investigado como homicídio culposo na direção de veículo automotor após a confirmação oficial de que Lívia era a segunda vítima do acidente.
Nesse tipo de crime, previsto no Código de Trânsito Brasileiro, a morte ocorre sem intenção de matar, mas em razão de imprudência, negligência ou imperícia na condução do veículo.
A Polícia Civil ainda aguarda a conclusão dos laudos periciais para esclarecer as circunstâncias da colisão.
Além disso, familiares entregaram novos materiais aos investigadores, incluindo vídeos que mostram Lívia entrando na Porsche antes do acidente e informações sobre os locais por onde os dois passaram naquela noite. A irmã da jovem também afirmou que Arthur Rodrigues de Souza, motorista do carro, teria consumido bebida alcoólica antes de dirigir e estaria com a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) suspensa. Essas informações ainda são apuradas pela polícia.

Tragédia na Rodovia Francisco Von Zuben
O acidente aconteceu na noite da última sexta-feira (10), na altura do km 93 da Rodovia Francisco Von Zuben (SP-091).

Imagens de câmeras de segurança registraram o momento em que a Porsche sai da pista, bate contra uma árvore e é completamente tomada pelas chamas.
Arthur Rodrigues de Souza, de 20 anos, estudante de Medicina e proprietário do veículo, morreu no local. O corpo dele foi identificado logo após o acidente e sepultado no domingo (12), em Albertina (MG).
Já a identificação de Lívia exigiu exames periciais devido ao estado em que o corpo foi encontrado. Enquanto a investigação prossegue, a família segue vivendo um luto interrompido pela espera da despedida.
Todos os dias, a mãe retorna ao local da tragédia levando flores e orações, na esperança de que a filha possa, enfim, receber o último adeus.