A identificação do suspeito ocorreu após a análise de celulares, notebooks e documentos apreendidos durante a primeira fase da operação
Foto: Polícia Militar
A identificação do suspeito ocorreu após a análise de celulares, notebooks e documentos apreendidos durante a primeira fase da operação

Um homem de 51 anos foi preso nesta sexta-feira (25), na cidade de Campinas, em São Paulo, durante a segunda fase da Operação Infiltrados , investigação do Ministério Público de São Paulo (MP-SP) que apura suspeitas de infiltração de integrantes do  Primeiro Comando da Capital (PCC) em órgãos públicos.

Segundo o Batalhão de Ações Especiais de Polícia (Baep), o homem não é policial, mas seria ligado a um dos agentes investigados na primeira etapa da apuração. Ele é suspeito de movimentar dinheiro em benefício de um policial civil e de fornecer um celular com chip registrado em nome de outra pessoa.

A prisão ocorreu no Jardim Eulina, onde também foi cumprido um mandado de busca e apreensão. Dois celulares e um caderno com anotações e notas fiscais foram recolhidos no imóvel.

Depósitos chegam a R$ 324 mil

A identificação do suspeito ocorreu após a análise de celulares, notebooks e documentos apreendidos durante a primeira fase da operação.

De acordo com o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), foram encontrados comprovantes de depósitos bancários que apontariam para a participação do homem nas movimentações financeiras.

Os registros analisados indicam pagamentos realizados entre janeiro de 2025 e janeiro de 2026. Os valores individuais variam de R$ 10 mil a R$ 51,7 mil.

Ao todo, as movimentações identificadas chegam a R$ 324.220.

Para o Gaeco, os valores são, inicialmente, incompatíveis com os rendimentos dos agentes públicos envolvidos. A investigação ainda busca esclarecer a origem e o destino dos recursos e verificar se outras pessoas participaram das movimentações.

Celular teria sido usado para esconder conversas

Além da movimentação financeira, o suspeito é investigado por ter fornecido um aparelho celular com chip cadastrado em nome de outra pessoa.

Segundo a apuração, o recurso teria sido utilizado para dificultar a identificação dos responsáveis pelas conversas e contatos mantidos entre os investigados.

Na residência do homem, localizada na Avenida Marechal Rondon, os policiais apreenderam dois celulares e um caderno com anotações e documentos.

Após a prisão, ele foi encaminhado ao plantão da 1ª Seccional de Polícia Civil de Campinas e permaneceu à disposição da Justiça.

Investigação começou com suspeita de infiltração

A  Operação Infiltrados foi deflagrada em junho pelo Gaeco e surgiu a partir de investigações anteriores relacionadas a um suposto  plano do PCC para matar o promotor de Justiça Amauri Silveira Filho.

Na primeira fase, três pessoas foram presas temporariamente: um chefe de investigadores da Polícia Civil, um ex-policial civil e um ex-estagiário do Ministério Público.

As apurações passaram a investigar se agentes públicos teriam utilizado seus acessos e funções para beneficiar integrantes de uma organização criminosa.

Segundo o Ministério Público, também foram identificadas suspeitas de vazamento de informações sigilosas e extorsão. A investigação apontou, ainda, que o ex-estagiário do MP teria usado sistemas internos para obter informações sobre investigados e cobrar dinheiro em troca de uma suposta proteção.

A operação de junho cumpriu dez mandados de busca e apreensão e três de prisão temporária em Campinas e Cardoso.

Suspeita de vazamento de informações

Outro eixo da investigação envolve um encontro entre um empresário apontado como suspeito de participar do plano contra o promotor e o então chefe dos investigadores da Delegacia de Investigação sobre Entorpecentes (Dise) de Campinas.

De acordo com as investigações divulgadas pelo Ministério Público, o encontro ocorreu uma semana antes da operação que teria frustrado o suposto atentado contra Amauri Silveira Filho.

O Gaeco passou a apurar se informações privilegiadas foram repassadas ao empresário ou se a reunião estaria relacionada a outras práticas criminosas, como extorsão.

A investigação também busca esclarecer a relação entre os diferentes suspeitos e identificar o eventual papel de cada um no esquema.

Caso continua sob investigação

Os suspeitos da primeira fase são investigados por crimes como associação criminosa, extorsão, violação de sigilo funcional e falsidade ideológica.

As prisões são medidas cautelares e as acusações ainda são objeto de investigação e análise judicial.

A ocorrência relacionada à nova prisão será apresentada à Polícia Civil de Campinas. O nome do homem preso nesta sexta-feira não foi divulgado pelas autoridades.

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