
Equipamentos de fiscalização eletrônica (radares) instalados na cidade de Campinas, no interior de São Paulo, estão ajudando a reduzir as mortes no trânsito. Antes da instalação dos reguladores, a cidade registrou nove sinistros fatais em pontos do município, e após a implementação, o número caiu para dois, que aponta um queda de 77,8% nas fatalidades.
A Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas (Emdec) realizou um estudo que analisou 32 pontos de radares: 18 instalados em Campinas entre 2022 e 2023 e outros 14 implantados após o remanejamento de pontos existentes. O levantamento compara o número de acidentes registrados em um raio de 100 metros das novas posições dos radares.
O estudo levou em conta o fato de que os radares foram ativados em momentos diferentes. Por isso, os sinistros foram agrupados a partir de períodos equivalentes, considerando cerca de mil dias (aproximadamente três anos) antes e depois da implantação de cada equipamento. Dessa forma, o intervalo de comparação foi ajustado individualmente conforme a data de ativação de cada radar.
Ao analisar o total de ocorrências registradas, observou-se uma redução aproximada de 44% nos sinistros. Antes da instalação dos radares, foram contabilizados 151 casos, número que caiu para 85 após a entrada em operação dos equipamentos.
Nos sinistros sem vítimas, a queda foi de 46,7%, passando de 75 para 40 registros. Já nos casos com vítimas, a redução foi de 37,5%, de 64 para 40 ocorrências. O número de atropelamentos permaneceu inalterado, com três registros em cada um dos períodos analisados.
Para o presidente da Emdec, Vinicius Riverete, os resultados reforçam o papel dos radares como instrumentos de preservação da vida. Segundo ele, menos de 1% dos motoristas que trafegam por locais monitorados são autuados, o que evidencia que o objetivo da fiscalização não é punir, mas coibir comportamentos de risco e apoiar políticas públicas de redução de mortos e feridos no trânsito.
Atualmente, o contrato em vigor prevê 144 pontos de fiscalização eletrônica. Dentre os 32 pontos avaliados no estudo, seis realizam apenas o controle de velocidade, enquanto outros 26 também fiscalizam o avanço do sinal vermelho e a parada sobre a faixa de pedestres.
Avenida John Boyd Dunlop
Dos 32 novos pontos ou remanejados, 14 estão localizados na avenida John Boyd Dunlop (JBD) (incluindo a marginal e a Praça Santa Catarina, na região da Vila Teixeira). Nestes locais, a redução dos sinistros foi ainda maior: com 70 casos antes da instalação dos radares e 35 após a ativação, uma redução de 50%.

A instalação dos novos radares na JBD trouxe resultados expressivos para a segurança viária. Em um raio de 100 metros dos equipamentos, nenhuma morte foi registrada após a implantação. No período anterior, haviam sido contabilizados cinco óbitos no mesmo trecho.
Os dados também apontam queda significativa nos sinistros. As ocorrências com vítimas diminuíram 24,1%, passando de 29 para 22 registros, enquanto os sinistros sem vítimas tiveram redução ainda mais acentuada, de 62,9%, caindo de 35 para 13 casos. Outro destaque é que os atropelamentos na via foram completamente eliminados.
A avenida, que é palco da campanha de segurança viária JBD Morte Zero, apresentou ainda uma redução gradual de 46% no número total de mortes ao longo dos anos. O índice caiu de 13 óbitos em 2021 para sete em 2024.
Redução expressiva de atropelamentos nos pontos monitorados
Nos pontos de fiscalização eletrônica atualmente ativos ou que passaram por remanejamento, os resultados indicam impacto positivo direto na preservação de vidas. Em um raio de 100 metros dos equipamentos, o número de mortes caiu de 14 para 11 após a instalação dos radares, o que representa três vidas salvas.

Os atropelamentos apresentaram redução significativa de 43,6%, passando de 39 ocorrências antes da implantação para 22 depois. Também houve queda no total de sinistros, com redução de 7,1% (de 677 para 629 registros), assim como nos sinistros sem vítima, que diminuíram 9,7% (de 352 para 318).
Critérios técnicos orientaram a escolha dos novos radares
A definição dos 18 novos pontos de radares nos eixos das avenidas Amoreiras, John Boyd Dunlop e Ruy Rodriguez teve como base os altos índices de sinistros registrados nessas vias. A concentração dos equipamentos nesses corredores, que também receberam o sistema BRT, teve como objetivo ampliar a segurança viária e reduzir o número de mortes e feridos no trânsito.
As três avenidas estão entre as quatro vias urbanas mais perigosas de Campinas e, juntas, concentraram 14,2% (32) dos óbitos decorrentes de sinistros de trânsito registrados no município entre 2022 e 2024.
Excesso de velocidade e avanço de sinal lideram causas de mortes
Em 2025, entre os 43 sinistros fatais que tiveram seus fatores de risco analisados, o excesso ou a velocidade inadequada foi responsável por 33% dos casos, totalizando 14 mortes. Já o desrespeito à sinalização respondeu por 12% das ocorrências, com cinco óbitos, incluindo situações de avanço do sinal vermelho.
Até novembro de 2025, conforme o último boletim divulgado pela Emdec, Campinas registrou 127 vidas perdidas no trânsito. Desse total, 66 mortes ocorreram no eixo urbano, 60 em rodovias, e em um caso ainda não foi possível identificar o local da ocorrência.