
Moradores da região do Jardim Campo Belo e da Cidade Singer, na cidade de Campinas, em São Paulo, receberam com esperança a informação de que o Departamento de Estradas de Rodagem (DER-SP) pretende implantar uma passarela no km 90 da Rodovia Miguel Melhado de Campos (SP-324). A medida foi comunicada à Justiça e surge após anos de reclamações sobre os riscos enfrentados por pedestres que atravessam a estrada diariamente.

Segundo o órgão estadual, a intenção é que a obra seja executada “com a maior brevidade possível”. A futura estrutura deverá atender principalmente moradores que vivem em bairros divididos pela rodovia e que dependem da travessia para trabalhar, estudar ou acessar serviços da região.
Travessia perigosa preocupa moradores
Desde a entrega da duplicação da Miguel Melhado, realizada em abril deste ano, a travessia de pedestres se tornou um dos principais pontos de preocupação para quem mora nas proximidades. Com a ampliação da pista, o trecho passou a ter seis faixas de circulação e ganhou barreiras de proteção ao longo da via.
Sem uma passarela, muitos moradores passaram a atravessar a rodovia pulando os obstáculos instalados às margens da estrada. Apesar da existência de uma passagem subterrânea, moradores afirmam que o caminho exige um deslocamento maior, considerado cansativo e inseguro, principalmente durante a noite.
O trecho não possui faixa de pedestres nem semáforo voltado à travessia de pessoas. Mesmo com placas alertando sobre a proibição, a prática continua sendo frequente por falta de alternativas rápidas entre os bairros.
Pressão judicial acelerou decisão
A implantação da estrutura vinha sendo cobrada por moradores, movimentos sociais e pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP) desde antes da conclusão das obras de duplicação. Em abril deste ano, a Sociedade Protetora da Diversidade das Espécies (Proesp) e o Movimento de Resistência Miguel Melhado entraram com uma ação judicial pedindo providências urgentes.
As entidades apresentaram fotos, vídeos e reportagens mostrando pessoas atravessando a pista em meio ao tráfego intenso de veículos. O caso ganhou repercussão justamente pelo risco constante de acidentes.
No documento enviado à Justiça, o DER informou que técnicos definiram como ponto mais adequado para a instalação da passarela o km 90 + 370 metros, local onde existem pontos de ônibus dos dois lados da rodovia.
O órgão também destacou que o fluxo intenso de veículos reforça a necessidade de medidas voltadas à segurança viária e à proteção dos pedestres.
Próximos passos da obra
Apesar do anúncio, ainda não existe uma data oficial para o início das obras. O DER informou que o processo depende de etapas técnicas e administrativas antes da abertura da licitação.
Entre os próximos passos previstos estão:
- autorização da Diretoria de Engenharia do DER;
- contratação de empresa especializada;
- levantamentos técnicos no local;
- elaboração do projeto executivo;
- definição da empresa responsável pela construção.
Movimentos que acompanham o caso comemoraram o avanço, mas reforçaram a cobrança por um cronograma oficial e por medidas emergenciais que garantam segurança enquanto a passarela não é construída.