
Quem passa pelos corredores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) , em São Paulo, talvez não imagine que muitas pesquisas realizadas dentro dos laboratórios da instituição acabam ultrapassando os muros do campus e chegando à vida das pessoas de diferentes formas.
Seja em hospitais, no campo, na indústria farmacêutica ou até em sistemas computacionais, diversas tecnologias desenvolvidas na universidade foram licenciadas para empresas e transformadas em produtos e serviços utilizados diariamente pela população.

Reconhecida como uma das universidades mais inovadoras da América Latina, a Unicamp acumula mais de mil patentes ativas e centenas de tecnologias transferidas para o setor produtivo ao longo de sua história. Grande parte desse trabalho é coordenada pela Agência de Inovação - Inova Unicamp, responsável por proteger e aproximar as pesquisas do mercado.
Como uma invenção nasce na Unicamp
Criada em 1966, a Unicamp foi concebida com forte vocação para ciência aplicada. Ao longo das décadas, a universidade consolidou um modelo que aproxima pesquisadores, empresas e poder público, permitindo que descobertas científicas sejam transformadas em soluções práticas para a sociedade.

Quando uma pesquisa apresenta potencial de aplicação, ela pode ser protegida por meio de patente, registro de software ou outra forma de propriedade intelectual. A partir daí, empresas interessadas podem licenciar essa tecnologia e levá-la ao mercado.
Atualmente, a universidade mantém centenas de contratos ativos de transferência tecnológica, abrangendo áreas como saúde, biotecnologia, agricultura, computação, telecomunicações e engenharia.
Medicamentos e tratamentos que nasceram em Campinas
A área da saúde está entre as que mais geram inovação dentro da universidade.
Pesquisadores da Unicamp desenvolveram, ao longo dos anos, tecnologias relacionadas a novos fármacos, formulações farmacêuticas, sistemas de liberação controlada de medicamentos e compostos voltados ao combate de doenças humanas e veterinárias. Muitas dessas pesquisas foram licenciadas para empresas farmacêuticas e transformadas em produtos comerciais.
Um exemplo recente envolve o desenvolvimento de microcápsulas naturais capazes de substituir antibióticos utilizados na criação de suínos, reduzindo riscos relacionados à resistência bacteriana e contribuindo para uma produção mais sustentável de alimentos. A tecnologia foi reconhecida pela Inova Unicamp e licenciada para aplicação prática.

Além disso, o Centro Pluridisciplinar de Pesquisas Químicas, Biológicas e Agrícolas (CPQBA), sediado em Campinas, é referência nacional em pesquisas com plantas medicinais, fitoterápicos e produtos naturais.
Tecnologias agrícolas presentes no campo brasileiro
Mesmo localizada em um ambiente urbano, a Unicamp possui papel importante no desenvolvimento do agronegócio nacional.
Pesquisadores da universidade desenvolveram cultivares, biotecnologias, sistemas de monitoramento e soluções voltadas à chamada agricultura de precisão, que consiste em um conjunto de técnicas que utiliza dados e sensores para tornar a produção agrícola mais eficiente.
Também foram criadas tecnologias para reduzir perdas provocadas por pragas e doenças nas lavouras, um dos principais desafios enfrentados pelos produtores rurais. Algumas dessas soluções já foram reconhecidas em programas nacionais de inovação aberta.

Hoje, diversas ferramentas empregadas no chamado Agro 4.0 contam com participação direta ou indireta de pesquisas desenvolvidas na universidade.
Inteligência artificial e softwares usados em diferentes setores
Muito antes da popularização das ferramentas de inteligência artificial generativa, pesquisadores da Unicamp já atuavam no desenvolvimento de sistemas inteligentes, processamento de linguagem natural, reconhecimento de padrões e ciência de dados.
Essas pesquisas deram origem a softwares aplicados em áreas como educação, saúde, indústria, finanças e telecomunicações. Diversos programas de computador desenvolvidos na universidade foram registrados e disponibilizados para transferência tecnológica.

A universidade também é reconhecida por sua contribuição histórica para a formação de profissionais e startups de tecnologia que ajudaram a consolidar Campinas como um dos principais polos de inovação do país.
Equipamentos médicos criados para melhorar hospitais
Outra área em que a Unicamp exerce forte impacto é a engenharia biomédica.
Um dos exemplos é o sistema GETS (Gerenciamento de Tecnologia para Saúde), software criado na universidade para monitorar e gerenciar equipamentos hospitalares. A ferramenta auxilia hospitais no controle de manutenção, desempenho e segurança de aparelhos médicos e já é utilizada em centenas de unidades de saúde brasileiras.

Pesquisadores também desenvolveram tecnologias relacionadas a anestesia regional, calibração de equipamentos médicos, dispositivos biomédicos e sistemas de apoio ao diagnóstico, posteriormente licenciados para empresas e incorporados à rotina hospitalar.
Um exemplo que muita gente conhece
A empresa Movile, dona do aplicativo de entrega iFood, surgiu em Campinas e foi fundada por ex-alunos da Unicamp. Embora o aplicativo não tenha sido criado dentro da universidade, ele faz parte do ecossistema de inovação impulsionado pela instituição e mostra a influência da universidade na criação de empresas de tecnologia.
Campinas como cidade da inovação
O ecossistema formado pela Unicamp, centros de pesquisa e empresas de base tecnológica ajudou Campinas a ganhar reconhecimento nacional como um dos maiores polos de ciência, tecnologia e inovação do Brasil.
Além de formar profissionais altamente qualificados, a universidade impulsiona a criação de startups e promove a transferência de conhecimento científico para a sociedade, gerando empregos, movimentando a economia regional e ampliando a competitividade tecnológica do país.