
Depois de dias de buscas intensas na Patagônia argentina, a história de Poze, um dos "frentiscães" mais conhecidos da cidade de Campinas, em São Paulo, ganhou um desfecho triste. Os tutores do cachorro iniciaram a viagem de retorno ao Brasil após confirmarem a morte do animal e afirmaram que vão buscar justiça antes de tornar público o que aconteceu.
O trajeto de aproximadamente 3,3 mil km até Campinas deve durar pelo menos 40 horas. Nas redes sociais, onde os cães da família somam mais de 1,1 milhão de seguidores, Giovanni Fernandes e os demais tutores disseram que ainda não podem explicar as circunstâncias da morte por orientação jurídica.

Família diz que só falará após orientação jurídica
Em uma publicação, os tutores informaram que encontraram uma advogada especializada em casos de maus-tratos a animais, que está na Argentina e deve auxiliar na condução do caso.
Segundo eles, novas informações surgiram durante as buscas e mudaram os rumos da investigação, levando ao cancelamento da força-tarefa que estava prevista para o último sábado (18).
Ainda não podemos explicar publicamente tudo o que aconteceu. Pela nossa segurança e para que possamos tomar as medidas necessárias da maneira correta, precisamos agir antes de falar. Tutores escreveram no perfil dos animais
Giovanni confirmou a morte de Poze e disse que ainda está entendendo "juridicamente o que pode ser dito" antes de conceder mais detalhes.

No domingo (19), a família publicou uma emocionante despedida ao cão.
Te amo, Poze. Obrigado, Poze. Você está descansando em um lugar muito lindo agora. Giovanni Fernandes, tutor de Poze
Caso mobilizou milhares de pessoas
O desaparecimento de Poze havia mobilizado seguidores em todo o Brasil e moradores da cidade de El Bolsón, na Patagônia argentina.
O cachorro desapareceu na noite de 12 de julho, durante uma viagem de trailer da família. Após ser solto em um camping, onde costumava circular livremente junto aos outros cães, ele não voltou mais. Matuê, Nagalli e Flávia, seus irmãos, retornaram ao trailer, mas Poze permaneceu desaparecido.
Desde então, os tutores espalharam cartazes, pediram ajuda nas redes sociais e contaram com o apoio da imprensa e de voluntários argentinos para tentar localizar o animal.

As buscas foram dificultadas pelas características da região, cercada por mata, trilhas, rio e estradas, além das baixas temperaturas e da falta de sinal de internet, que impedia o funcionamento do rastreador usado pelo cachorro.
De cão resgatado a fenômeno das redes
Poze tinha cinco anos e era um dos rostos mais conhecidos dos chamados "frentiscães" de Campinas.
Resgatado ainda filhote após aparecer em um posto de combustíveis da família de Giovanni Fernandes, ele foi adotado, ganhou um uniforme de frentista e passou a fazer parte da rotina do estabelecimento.

Ao lado de Matuê, Nagalli e Flávia, conquistou mais de 1,1 milhão de seguidores nas redes sociais, onde divertia o público com vídeos do dia a dia no posto e ajudava a incentivar a adoção de animais abandonados.
Pouco antes do desaparecimento, Giovanni contou que Poze teve um comportamento incomum.
Ele veio pedir carinho de um jeito que não era dele. Pediu tanto carinho, não parava. A gente até brincou: 'Nossa, como você está carinhoso'. Foi a última interação que tivemos com ele. Giovanni Fernandes, tutor de Poze